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  • Blogs,  Críticas,  Filmes,  Isabel Wittmann

    Ataque dos Cães

    Eu já escrevi sobre como Jane Campion trabalha a relação entre erotismo e morte, tão bem analisada por Bataille, no seu Em Carne Viva. Em Ataque dos Cães voltam a se entrelaçar a pulsão de morte que se mistura ao desejo. Como em O Piano, Rose é rodeada por um ambiente natural (e também social) hostil, em que precisa medir forças com um homem que acaba de conhecer. Dessa vez trata-se da figura bruta de Phil. Mas Rose não é Ada. É uma mulher frágil e mesmo seu piano não é uma ferramenta de expressão, mas mais um elemento de pressão que se soma a outros em torno de sua trajetória…

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    #52FilmsByWomen Ano 6: a Conclusão

    Mais um ano se passou e completei o sexto do do desafio #52FilmsByWomen ou, 52 Filmes por Mulheres. Foi em 1º de outubro de 2015 que eu aderi a ele, exatamente na data de seu lançamento e antes do nascimento do Feito por Elas, que foi muito inspirado por ele. Criado pelo Women in Film, consiste em assistir a um filme dirigido por semana durante um ano, totalizando 52 no final. O próprio Feito por Elas Acaba facilitando o cumprimento da meta. No primeiro ano foram 72 longas assistidos, no segundo foram 91, no terceiro foram 147, no quarto foram 130, no quinto 93. Esse ano, com meu doutorado sanduíche…

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    Missa da Meia-Noite

    A minissérie Missa da Meia Noite (Midnight Mass, 2021) deve ser o melhor trabalho do diretor Mike Flanagan. E também deve ser a maior quantidade de missa que vi em 20 anos. É interessante como estamos acostumados a ver o catolicismo, quando em contexto de narrativas de terror, vinculado principalmente a possessões demoníacas e exorcismos. Mas a premissa aqui parte da própria ritualística: e se o tomar o corpo e sangue na comunhão fosse mais real? Transformar o rito de canibalismo simbólico e sagrado em literal e profano. São muitas sequências que se passam em missas e a criação católica do cineasta transparece: não são caricatas, mas seguem a gestualidade,…

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    Mrs. America

    Assisti à minissérie Mrs. America, baseada na história da ativista e lobista estadunidense contra a igualdade de gênero e os direitos das mulheres Phyllis Schlafly, interpretada por Cate Blanchett. (Sim, isso existe, mulheres contra os direitos das mulheres). O recorte histórico abarca de 1972 até 1981, período em que se tentava aprovar, nos EUA, uma emenda constitucional de Igualdade de Direitos. Gostei muito da recriação de época e também do foco, que a cada episódio se desloca para uma personagem diferente, passando pela própria Phyllis, mas também pelas feministas Gloria Steinem (Rose Byrne), Shirley Chisholm (Uzo Aduba), Bella Abzug (Margo Martindale), Betty Friedan (Tracey Ullman), Jill Ruckelshaus (Elizabeth Banks), entre…

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    Jane Eyre e suas adaptações

    Esse mês o livro escolhido para leitura e conversa no Grupo de Leitura do Feito por Elas foi Jane Eyre, de Charlotte Brontë. Ele é um dos meus preferidos da vida e eu poderia ter participado dos debates informalmente, mas optei por relê-lo. E uma vez tendo feito isso, resolvi, talvez obcecadamente, ver algumas de suas adaptações audiovisuais. Nesse texto contarei um pouco de minhas impressões. Começando pelo livro: que leitura maravilhosa! Jane Eyre, a protagonista que dá nome à trama, é uma garota órfã de 10 anos que é enviada pela esposa de seu falecido tio para um internato de caridade para meninas sem posses. Cresce em meio aos…

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    Yentl

    Barbra Streisand é uma das 21 pessoas chamadas de EGOT. Isso significa que já foi premiada com Emmy (prêmio de televisão), Grammy (música), Oscar (cinema) e Tony (teatro). Começou a sua carreira na Broadway como cantora e seu primeiro papel no cinema já foi um sucesso absoluto: Funny Girl: A Garota Genial( Funny Girl, 1968), dirigido por William Wyler, que mostra uma comediante no começo do século XX, chamada Fanny, papel que ela já havia interpretado na Broadway. Destaco, ainda, seu papel em Essa Pequena é Uma Parada (What’s Up Doc, 1972), de Peter Bogdanovich, uma comédia maluca com Ryan O’Neil, que envolve malas trocadas e muitas confusões estilo sessão…

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    A Vida é uma Dança e a obra de Dorothy Arzner

    Dorothy Arzner é uma das pioneiras do cinema. Nasceu em 1897 e começou a trabalhar como diretora no final da década de 1920, ainda no cinema mudo. Fez a transição para o cinema sonoro e trabalhou até 1943, sendo a única mulher que se saiba estar dirigindo filmes em Hollywood ao longo da década de 1930. Foi também a primeira mulher a integrar o Sindicato dos Diretores nos Estados Unidos. Curiosamente, eu estava vendo, esses dias, o documentário Alice Guy-Blaché: A História Não Contada da Primeira Cineasta do Mundo (Be Natural: The Untold Story of Alice Guy-Blaché, 2018), dirigido por Pamela B. Green e nele aparece uma carta de Guy…

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    Melhores filmes de 2020

    Também conhecido como “os filmes que eu mais gostei de ver”, portanto algo bastante pessoal. Como sempre nos últimos anos, não fiz repescagem em dezembro. Esse ano foi muito atípico e cansativo, mas isso todo mundo sabe. Acabei assistindo a número bastante reduzido de lançamentos. Em meio ao caos do ano, fui jurada no Júri da Crítica do 48º Festival de Cinema de Gramado e no Júri da Crítica da 44ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, mediei debates, cobri festival, toquei o doutorado em frente (e consegui uma bolsa de estágio na Itália, para onde devo ir no começo de 2021). Ainda assim foram cerca de 40 textos…

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    Melhores documentários assistidos em 2020

    Nessa lista constam os documentários que mais gostei de ver pela primeira vez ao longo do ano. Separo eles dos demais filmes porque nem sempre eles são lançados comercialmente, então não preciso esperar uma data específica para colocá-los em minha lista. Além do mais, isso me permite elencar também os que não são lançamentos, mas que eu vi pela primeira vez ao longo dos últimos 12 meses. Eu gosto muito de documentários e acho interessante como sem querer eles se tornaram o reduto dos trabalho de mulheres, como pode ser facilmente verificado abaixo. A lista está em ordem cronológica e está disponível no letterboxd. Filmes sobre os quais escrevi ou…

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    Melhores livros lidos em 2020

    Esse ano, felizmente, voltei às leituras, em grande medida por causa do Grupo de Leitura do Feito por Elas, que foi uma das melhores coisas que de 2020 para mim. Em 2019 o Brasil desgraçou minha cabeça e eu simplesmente não consegui me dedicar aos livros. Foi ótimo voltar. Vamos à lista: Ficção As Meninas – Lygia Fagundes Telles Narrativa formalmente complexa escrita durante a ditadura militar no Brasil. A história, protagonizada por três jovens estudantes com trajetórias e personalidades distintas, é marcada pela tragédia e pela perda da inocência. A língua portuguesa abarca muita poesia na dor. O Sol É Para Todos – Harper Lee Infelizmente muito contemporâneo. Com…