• Discos,  Indicações

    Desmanche, de Karina Buhr

    Depois de Eu Menti pra Você (2010), Longe de Onde (2011) e Selvática (2015), a cantora baiana Karina Buhr lança seu quarto álbum, Desmanche (2019), espera que fez valer cada faixa. Talvez o mais pesado, tem tambores que remetem aos primórdios da carreira na Comadre Fulozinha, tem espaço para romance – ainda que desiludido – em “Amora” e mantém o característico sotaque recifense, parte de sua afrontosa resistência. Apesar dos títulos que aparentam ser regravações, as faixas são composições próprias, como “Chão de Estrelas”, “A Casa Caiu” e “Filme de Terror”, bolero irônico em que “vende-se ânimo, valentia, coragem”. Já a vi pasma de admiração em muitos shows, de covers…

  • Filmes,  Indicações

    O Olmo e a Gaivota, de Petra Costa

    Se você gostou do documentário Democracia em Vertigem, que já recomendamos nessa newsletter, não deixe de conferir O Olmo e a Gaivota, o filme anterior da diretora Petra Costa, que entra para o catálogo da Netflix nesse domingo. Talvez o menos diretamente pessoal de sua filmografia, ele trata da história de uma atriz, Olivia, que se prepara para encenar a peça A Gaivota, de Tchekov, quando descobri que está grávida. A partir daí tem que lidar com seus medos, a percepção sobre si, sobre seu corpo e sua vida. Isabel WittmannCrítica de cinema, doutoranda em Antropologia Social, pesquisa corpo, gênero e cinema e é feminista. http://estantedasala.com

  • Discos,  Indicações

    öOoOoOoOoOo – Samen

    Nunca tinha indicado nenhuma banda de metal por aqui até agora. Há muitas vocalistas mulheres maravilhosas no estilo, na maioria das vezes com canto lírico em bandas góticas, em predominante contraste com guturais masculinos: Tristania, After Forever, Lacrimosa e Epica são minhas preferidas… mas piro quando o gutural é feminino! Já tive um breve cover de Arch Enemy inclusive, época em que quase destruí as cordas vocais imitando (errado) a técnica de Angela Gossow. Também devo citar The Agonist e iwrestledabearonce como belos exemplos de gutural feminino, nos dois casos oscilante com uma voz límpida. Mas desde UneXpect – favorita oficial posto que a mais criativa do gênero avant-garde ou…

  • Discos,  Indicações

    Julia Jacklin, “Head Alone”

    Convido vocês a conhecer o trabalho indie folk da cantora e compositora australiana Julia Jacklin a partir do videoclipe de “Head Alone”, faixa do mais recente disco dela, Crushing (2019), sucessor de Don’t let the kids win (2016). No plano sequência de pouco menos de 3 minutos (não parece haver cortes), a moça de vestido florido de época abraça um rapaz intensamente, 360 graus de abraço. Logo, ela se afasta com delicadeza, e não sem antes olhar pra trás uma última vez, sai pela rua, diante de um poético céu violeta, dá murrinhos no ar e corre dançando, cabelos ao vento, enquanto canta versos libertadores como “eu não quero ser…

  • Indicações,  Livros

    Clara Averbuck Toureando o Diabo

    A escritora gaúcha Clara Averbuck dedica seu sétimo livro “pras minas”. Scanners de agendas conferem suspeita verossimilhança ao relato em algumas das páginas em preto e branco, nas quais ela escreve sobre relações quase sempre efêmeras em metalinguagem irônica: “Eu vivo de fazer versões da vida que não são verdade, mas todo mundo acha que é diário, que é confessional. Quero ver chamar literatura de homem de confessional. Jamais aconteceu, né? Só mulheres têm pecado pra confessar”. Parceria com a ilustradora Eva Uviedo, “Toureando o Diabo” foi lançado em 2015 por financiamento coletivo – mas ainda restam exemplares raros na Estante Virtual. Stephania AmaralMestra em cinema de horror, revisora e aspirante à crítica de música no @discosdaste

  • Filmes,  Indicações

    XXY, de Lucía Puenzo

    Já ouviu nosso podcast sobre a diretora argentina Lucía Puenzo? O longa dela XXY (2007) está disponível na Netflix! No drama, a atriz Inés Efron vive Alex, intersexual que aos 15 anos mora com os pais (um deles vivido pelo Ricardo Darín), que lidam com os desafios de sua condição médica e a hostilidade enfrentada durante suas descobertas. O filme é muito pesado e difícil de ser assistido – costumamos preferir películas que retratam a sexualidade e especialmente questões de gênero de forma mais leve. Stephania AmaralMestra em cinema de horror, revisora e aspirante à crítica de música no @discosdaste

  • Discos,  Indicações

    Zimbru – “Divination”

    Minha recomendação da vez é uma “descoberta da semana” no Spotify, cujo algorítimo tantas vezes lê minha alma (e recorda da minha obsessão por cantoras). Senti uma conexão imediata pela música “Divination”, da banda romena Zimbru (custei a achar as letras!) Logo descobri o clipe surreal, dirigido pela Irina Alexiu: a protagonista tem um corpo bem realista, digamos, e usa camiseta do Hole! Eu já estava apegada aos “atores”, sentimento tão familiar de amigos imaginários ou guias espirituais que ajudam a atravessar a solitude do dia… quando assisto a “Dog Heaven” (ao vivo) e descubro que os quatro são ninguém menos do que os integrantes do grupo! (Teodora Retegan, Oana Pop, Andrei…

  • Indicações,  Seriados

    Fleabag

    Acho que sou desligada, porque até poucas semanas atrás eu nunca tinha ouvido falar de Phoebe Waller-Bridge ou de Fleabag. A descoberta veio do grupo de Telegram do Feito por Elas, em que encontrei um verdadeiro séquito de adoradores da atriz e roteirista e desde então vejo ela em toda parte, seja na referida série, seja em Killing Eve ou Bond 25 (ambos escritos por ela). Rendi-me e juntei-me ao coro dos fãs: é muito talento! Fleabag, disponível na Amazon Prime Video, conta a história de uma mulher de mesmo apelido que tenta não levar à falência o seu café, sempre vazio, lidar com o namorado (ou ex) grudento, a irmã com a vida aparentemente perfeita, o pai viúvo e ainda a sua…

  • Discos,  Indicações

    Ressignificar o climão na pista

    Letícia Novaes lançou uma versão remix do primeiro e icônico álbum de sua alter ego atual. Se Letrux em noite de climão me tirou de uma bad, as faixas revisitadas de Letrux em noite de pistinha consolidam pra mim novas perspectivas. Dado o impacto inicial de “Vai render” versão funk (!), uma narração bônus abre “Ninguém perguntou por você”, letra agora fora de ordem, carnavalizada. “Coisa banho de mar” e “Que estrago” poderiam ter os jogos de palavras e a melodia um pouco subvertidos, ainda assim é impossível estragar as faixas. “Puro disfarce” tem agora contornos mais profundos, lugar onde “a fossa dança e o gozo dói”. “Amoruim”, aquela que me fazia…

  • Indicações,  Livros

    Controle, de Natalia Borges Polesso

    Já se encontra em pré-venda pela Companhia das Letras o primeiro romance da escritora Natalia Borges Polesso. “Controle” parte da relação homoafetiva entre mulheres para refletir sobre as escolhas que precisam ser feitas ao longo da vida. Polesso ganhou o Prêmio Jabuti na categoria contos com “Amora”, em 2016. Camila VieiraJornalista, crítica, curadora e realizadora de cinema.