• Cinema,  Críticas e indicações,  Filmes

    Madame Teia (2024)

    Em 1973, Contance (Kerry Bishé), uma cientista, se embrenha na Amazônia peruana em busca de uma aranha cuja picada tem propriedades curativas. Quando ela finalmente consegue encontrar um espécime, um de seus assistentes mata todos os demais e lhe desfere um tiro, roubando o animal para si. Ela está com uma gestação avançada e é resgatada por um povo lendário que tem o poder de escalar árvores. Eles a levam para uma caverna e soltam uma aranha que a pica. O veneno da aranha não evita sua morte, mas o parto induzido permite que sua filha sobreviva. Todos esses acontecimentos são apresentados em flashback logo no começo do filme. Pula…

  • Cinema,  Críticas e indicações,  Filmes,  Livros

    Entre dois amores

    Texto publicado originalmente na newsletter para assinantes do financiamento coletivo do Feito por Elas. Para contribuir, assine aqui. Entre 2013 e 2014 eu queria voltar para a academia e tinha um pouco de medo de não dar conta do ritmo. Para “treinar” os estudos, eu me inscrevi em vários cursos que era disponibilizados de graça na plataforma Coursera. Era apenas uma proposta maravilhosa, daquela época em que rolava uma utopia de que a internet democratizaria o conhecimento (e não que a gente seria sufocado por algoritmos tentando nos vender coisas, mas isso é tema para outro momento). Esses cursos me marcaram demais: até hoje lembro das aulas, da didática, do esforço conjunto para…

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    Duas catadoras

    Texto publicado originalmente na newsletter para assinantes do financiamento coletivo do Feito por Elas. Esses dias eu li A Teoria da Bolsa da Ficção, um ensaio da Ursula Le Guin que saiu no Brasil pela N-1 Edições, traduzido por Luciana Chieregati. Com enxutas 8 páginas, publicado originalmente em 1986 (depois de algumas das principais obras da autora, diga-se de passagem), é impressionante quantas ideias interessantes ele abarca. Ursula (ou Ursulinha, como chamamos ela na intimidade do Grupo de Leitura Feito por Elas), para quem não conhece, é uma escritora de ficção científica que começou a publicar no final da década de 1950, com o primeiro romance saindo em 1966. Elas permaneceu ativa até seu…

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    Melhores filmes de 2023

    Todos os anos elabora essa lista de filmes que mais gostei e sempre sofro para conseguir fechar. Ela e muito pessoal e provavelmente semana que vem já seria outra. Até 2021 eu só levava em conta filmes lançados no Brasil, mas desde o ano passado, quando comecei a votar no Globo de Ouro, passei a incluir também qualquer filme que seja lançamento e que eu tenha visto ao longo do ano. Esse ano eu vi ainda menos filmes que no ano passado. Eu sumi pro mundo entre janeiro e julho, quando entreguei a tese pra branca, e de agosto a outubro trabalhei na versão corrigida depois da defesa. Assim, acabei…

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    20 Melhores filmes vistos pela primeira vez em 2023

    Todo ano eu faço essa listinha, que abarca alguns dos filmes que não são lançamento que mais gostei de conhecer. A descoberta de novos filmes é uma constante na busca por cinemas interessantes, mas esse ano sinto que não explorei tanta coisa nova. Foram muitas revisões para acabar a tese e, nas horas vagas, optei muito por filmes de atrizes que tenho interesse (esse foi um ano povoado especialmente por Bette Davis) e não necessariamente me atentando às pessoas dirigindo. Como sempre, para facilitar, em caso de haver mais de um filme com a mesma direção que pudesse figurar entre meus preferidos, incluí apenas um (senão seriam 3 Minnellis). A…

  • Críticas e indicações,  Livros

    Livros escritos por mulheres no vestibular

    Foi publicada na Folha uma matéria informando que a partir do vestibular realizado em 2025, para definir os ingressantes de 2026, o vestibular da USP (Fuvest) terá uma lista para a prova de literatura composta apenas por livros escritos por mulheres. Entre as escritoras escolhidas há nomes como Rachel de Queiroz, Lygia Fagundes Telles, Clarice Lispector e Conceição Evaristo. E também há alguns nomes menos conhecidos do público, e eu, particularmente, não conhecia as autoras do século XIX. Mas essa é a graça de uma proposta como essa, não é? Você incorpora autoras validadas e reconhecidas, e que mesmo assim figuram pouco em um vestibular (inclusive por questões subjetivas de gênero e raça…

  • Críticas e indicações,  Seriados,  Televisão

    Willow e o queer em Buffy na virada do século

    Texto publicado originalmente na newsletter para assinantes do financiamento coletivo do Feito por Elas. No Grupo de Seriados FpE estamos (já há um tempo) assistindo a Buffy, a Caça-Vampiros (Buffy The Vampire Slayer, 1997-2003). Terminamos recentemente a quarta e começamos a quinta temporada. A quarta temporada foi ao ar nos Estados Unidos entre outubro de 1999 e maio de 2000. Eu não lembro exatamente quando passou no Brasil, mas a espera às vezes era de até um ano. E, para contextualizar para quem nunca assistiu ao seriado, é no final dessa temporada que Willow (Alyson Hanningan), a melhor amiga da protagonista, e que já tinha sido apaixonada por dois rapazes e namorado…

  • Podcasts

    Feito por Elas #201 47ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

    Este podcast faz parte da cobertura da 47ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que ocorre entre 19 de outubro e 1 de novembro. Entre os dias 19 de outubro e 1 de novembro aconteceu a 47ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Nesse podcast comentamos alguns dos nossos filmes preferidos, bem como os premiados, focando na presença de mulheres, na frente e atrás das câmeras. O programa é apresentado por Isabel Wittmann e Rosana Íris, com participação de Barbara Demerov da Veja São Paulo, Raíssa Ferreira, da Revista Singular, Maria Caú, do Críticos.com.br e Cecília Barroso do Cenas de Cinema. Feed | Facebook | Twitter | Instagram | Letterboxd…

  • Entrevistas

    Conversa com Sofia Coppola e Cailee Spaeny sobre Priscilla

    Eu ainda lembro quando assisti a As Virgens Suicidas (The Virgin Suicides, 1999) pela primeira vez. Eu tinha 15 anos, assim como Bonnie Lisbon, uma das personagens principais. Em certo momento da história, um médico fala para Cecília, a irmã de 13 anos, que ela não é velha o bastante para saber o quão ruim a vida fica e ela responde “obviamente, doutor, você nunca foi uma menina de 13 anos”. Nunca tinha visto o senso de solidão, isolamento e tristeza de ser uma menina adolescente traduzido em uma fala tão simples. E eu, naquela idade, me enxergando em todos aqueles sentimentos. Foi nesse momento que Sofia Coppola virou a…

  • Críticas e indicações,  Filmes

    As Virgens Suicidas

    Texto escrito em dezembro de 2019 para o dossiê sobre filmes de 1999 da Revista Moviement. O cinema de Sofia Coppola é marcado por mulheres isoladas. Com uma poética muito própria, se tomarmos sua filmografia, o senso de não-pertencimento é uma constante, acompanhado pelo controle sobre os corpos e suas performatividades. Suas personagens sentem falta de um lugar para chamar de seu e essa falta é expressa no estranhamento dos demais. Ausenta-se o sentido; abunda a tristeza e a busca por si. Existe uma melancolia quase palpável em torno de muitas de suas heroínas. Esses elementos são passíveis de identificação, em maior ou menor grau, desde quando a cineasta lançou…