-
[Olhar do Norte] Os Avós, de Ana Lígia Pimentel
Este texto faz parte da cobertura do 8º Festival de Cinema da Amazônia – Olhar do Norte, de 23 a 27 de setembro de 2026. Exibida entre outubro de 2025 e março deste ano, a novela Três Graças, do trio Aguinaldo Silva, Zé Dassilva e Virgílio Silva, trouxe Sophie Charlotte na pele de Gerluce Maria das Graças, uma mulher de 30 e alguns anos que se torna avó. O núcleo da trama tinha ainda Dira Paes como a mãe da personagem de Sophie. Ou seja, quatro gerações — as três “Graças” que viram quatro — no centro de uma história que chegou a ser questionada quando sua sinopse se tornou…
-
[Olhar do Norte] Kika Não Foi Convidada, de Juraci Júnior
Este texto faz parte da cobertura do 8º Festival de Cinema da Amazônia – Olhar do Norte, de 23 a 27 de setembro de 2026. Na primeira vez que vemos Kika (Sophia Resky) em Kika Não Foi Convidada, ela está correndo, empolgada, com um amigo para não perder um aniversário. A imagem das duas crianças vendo de fora a festa, com os rostos grudados em uma grade, já diz tudo o que precisamos entender sobre aquele momento. O abismo entre esses dois mundos, implícito nessa imagem, fica evidente na fala passivo-agressiva da mãe do aniversariante (apropriadamente chamado Enzo) quando percebe a presença da garotinha. O curta dirigido e roteirizado por…
-
[Olhar do Norte] Terruá Pará, de Jorane Castro
Este texto faz parte da cobertura do 8º Festival de Cinema da Amazônia – Olhar do Norte, de 23 a 27 de setembro de 2026. Dentro de mais de 1,2 milhão de km quadrados, mora uma diversidade de sons. Esse território é o Estado do Pará, onde os barulhos da floresta e da vida urbana viram música tanto quanto o que sai das guitarras. Em Terruá Pará, documentário dirigido por Jorane Castro, a riqueza musical paraense é reverenciada. Castro faz uma viagem musical que começa dentro da mata, atravessa a cidade e volta novamente para a floresta, apresentada como a gênese de tudo. Para construir esse percurso, o documentário reúne…
-
[Olhar do Norte] 3×4, de Juliana Tizatto
Este texto faz parte da cobertura do 8º Festival de Cinema da Amazônia – Olhar do Norte, de 23 a 27 de setembro de 2026. Antes da exibição de 3×4 no 8º Festival de Cinema da Amazônia – Olhar do Norte, a diretora Juliana Tizatto falou sobre a origem do filme, sua estreia na direção. Segundo ela, a obra vem da vontade de “coreografar uma dinâmica feminina” e fez uma relação do que está em tela com um quarto que dividia com a irmã. É uma analogia que faz sentido quando se assiste ao filme, ambientado quase todo em um quiosque fechado que mais parece um cubículo, no Centro de…
-
[Olhar do Norte] Tarde Dentro da Tarde, de Rafael Ramos
Este texto faz parte da cobertura do 8º Festival de Cinema da Amazônia – Olhar do Norte, de 23 a 27 de setembro de 2026. Em Tarde Dentro da Tarde, os homens pouco aparecem. Quando estão em cena, ou são mostrados monossilábicos ou dormindo. O novo trabalho do diretor e roteirista amazonense Rafael Ramos dá protagonismo às mulheres. Em um dia provavelmente tão quente quanto o de hoje, quando o filme foi exibido no 8º Festival de Cinema da Amazônia – Olhar do Norte, elas existem entre a calmaria e um companheirismo silencioso. É um dia preguiçoso, em que Tati (Rafaela Monteiro) se vê rodeada pelas mulheres da família. De…
-
[Olhar do Norte] Xingu, Nosso Rio Sagrado, de Angela Gomes
Este texto faz parte da cobertura do 8º Festival de Cinema da Amazônia – Olhar do Norte, de 23 a 27 de setembro de 2026. À primeira vista, Xingu, Nosso Rio Sagrado é um filme que celebra a relação que os ribeirinhos têm com aquelas águas. O documentário da diretora Angela Gomes, no entanto, mostra como esse laço está cada vez mais frágil, em uma terra cada vez mais arrasada pela Usina Hidrelétrica de Belo Monte. É pelas vidas impactadas diretamente por aquela estrutura de barragens que Angela guia o público. Depoimentos sobretudo de mulheres que viram sua subsistência ser ameaçada e que precisaram recomeçar em territórios estranhos. Com uma…
-
[Gramado 2026] Tecendo histórias com palavras
Este texto faz parte da cobertura do 54º Festival de Cinema de Gramado que acontece entre os dias 14 e 23 de agosto de 2026 As produções exibidas nos três dias de festival que serão abrangidos nas seguintes notas, são costuradas pelo uso das palavras. Enquanto “Pele de Rinoceronte” se fundamenta na cobertura jornalística e na retórica jurídica, “Chorão: Só os Loucos Sabem”, se inspira nos relatos de Graziella Gonçalves sobre sua história de amor com o vocalista do Charlie Brown Jr. O mais diferente de todos os exibidos na Competitiva de Longas Nacionais é “Leite em Pó”, também é entrecortado por palavras, seja por meio das conversas entre as…
-
[Gramado 2026] Antártida congela o clima na abertura do festival
Este texto faz parte da cobertura do 54º Festival de Cinema de Gramado que acontece entre os dias 14 e 23 de agosto de 2026 I O primeiro filme exibido em Gramado, propôs uma abordagem sobre as diversas violências cometidas contra mulheres. Sendo ambientado em um espaço majoritariamente masculino, de tensão latente, devido aos meses de isolamento, acompanhamos o cotidiano de militares que trabalham como tripulantes de uma base/laboratório, localizado na Antártida. II A história consiste em seguir a chegada de Inês (Marina Ruy Barbosa), uma cientista recém formada, na missão de monitoramento das mudanças climáticas. Em meio ao preparo para um lockdown, a mulher é encontrada desacordada do lado…
-
[Tribeca 2026] Deepfake, de Matt Eames
Este texto faz parte da cobertura do Tribeca Film Festival 2026, que ocorre em ocorre em Nova York de 3 a 14 de junho. Há uma tentativa recorrente no cinema contemporâneo de desvendar o que as projeções da mídia fazem com as pessoas. A cobrança pela juventude eterna, por exemplo, guiou A Substância (2024), de Coralie Fargeat, filme que rendeu a Demi Moore sua primeira indicação ao Oscar. Assistir a Deepfake (2026), de Matt Eames, me fez retornar às discussões que cercaram o lançamento do body horror de Fargeat, mas os paralelos ficam na superfície. Integrante da programação do Festival de Tribeca 2026, o filme de Eames usa a obsessão…
-
[Tribeca 2026] Matininó, de Gabriela Díaz Arp
Este texto faz parte da cobertura do Tribeca Film Festival 2026, que ocorre em ocorre em Nova York de 3 a 14 de junho. Ter coragem de ser a primeira a falar é o caminho para lidar com traumas geracionais em Matininó, filme de Gabriela Díaz Arp que integrou a programação do Festival de Tribeca 2026. Misturando elementos do teatro, do cinema fantástico e do documentário, a produção reúne mulheres de diferentes gerações de uma mesma família, cada uma confrontando seus traumas na tentativa de romper ciclos de silêncio para que as próximas gerações possam existir sem medo. No filme, essas mulheres caribenhas estão em meio à natureza, conversando entre…