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    In my room (2020), de Mati Diop

    Assisti a esse curta certeiro da Mati Diop na condição atual de isolamento, praticando a tradução literal do título In my Room (“em meu quarto”), com vozes mentais rodando em minha cabeça. Lembranças confortam a diretora e atriz nesse estudo poético sobre a ausência da avó e a nostalgia dos nossos. Stalker das janelas alheias de milhares de apartamentos, gaveteiros ocupados nesses tempos estranhos, nada lhe apetece na geladeira. Performances glamourosas da ópera “La Traviata” de saltos altos vermelhos e roupas da MiuMiu, luzes neon no chão: a breve festa exibicionista a ajuda um pouco a driblar o tédio, que retorna em seguida e pede uma garrafa no frigobar. Foi uma época…

  • Filmes,  Indicações

    De nuevo otra vez (2019), de Romina Paula

    Na estreia da atriz Romina Paula atrás das câmeras em De nuevo otra vez (2019), a diretora filma seu convívio com a mãe e o filho de 3 anos, em um retorno às raízes para se descobrir também como filha. Neste misto de documentário e ficção, espanhol e alemão, há montagens divertidas e instigantes, quebra da quarta parede e brincadeiras com fotografias antigas. Em pouco tempo, ela confessa sentimentos que fogem do senso comum, como o distanciamento ao olhar alguém de perto, lança questões profundas como “a melancolia é um privilégio da juventude?” e traça linhas tênues entre medo e desejo. O filme foi comentado no nosso podcast sobre a…

  • Críticas,  Filmes

    Take this Waltz

    Margot sente medo de estar entre duas coisas. Com constante senso de perigo, sente medo de sentir medo. As unhas azuis dos pés dela denotam uma fragilidade, uma delicadeza infantil, uma Madame Bovary oculta, uma palhaça triste. Como adulta ela escolhe não sucumbir à melancolia, ainda que pareça perdida e se sinta culpada por ter […]

  • Filmes,  Indicações

    Crip Camp: Revolução pela Inclusão

    O documentário Crip Camp: Revolução pela Inclusão (Crip Camp, 2020), dirigido por Nicole Newnham e James Lebrecht, estreou no catálogo da Netflix. A sinopse não dá conta de seu conteúdo: faz parecer que aborda um acampamento de verão nos Estados Unidos para adolescentes com deficiência nos anos 60 e 70. Esse tema por si só já seria interessante, uma vez que, como o próprio doc deixa claro, pessoas com deficiência não tinham direitos garantidos naquela época e a maioria dos jovens tinha pouca convivência fora de casa, porque as escolas públicas raramente os aceitavam. Muitos permaneciam em casa ou institucionalizados. Mas além de abordar o ineditismo do local, em termos pedagógicos e…

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    MS Slavic 7 (2019)

    Mais uma parceria entre Sofia Bohdanowicz e Deragh Campbell (atriz e co-diretora), o semi ficcional MS Slavic 7 (2019) acompanha a descoberta de correspondências muito poéticas (e reais!) enviadas pela bisavó da cineasta, Zofia Bohdanowiczowa, ao poeta polaco Józef Wittlin entre 1957-1964. Bela e contemplativa percepção de tensões familiares e luta discreta por espaço e direito, além de um estudo inspirado sobre o significado do gênero carta e sua viagem de passarinho para suprir um desejo intenso por comunicação – e conexão, o qual a protagonista vivencia em sua busca solitária.  Stephania AmaralDoutoranda em cinema de horror, revisora e aspirante à crítica de música no @discosdaste

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    Revelação (2020)

    Entre as novidades de streaming dessa semana, está o documentário Revelação (Disclosure: Trans Lives on Screen, 2020), dirigido por Sam Feder. O filme propõe uma análise sobre a forma como pessoas transgênero foram representadas ao longo da história do cinema, do ridículo ou ameaçador chegando ao bem intencionado mas equivocado, passando sempre pelo erro de colocar pessoas cisgênero interpretando a transgeneridade. O panorama resultante dessa recapitulação é bastante desolador. O fio condutor são os depoimentos de pessoas ligadas ao cinema e à televisão como as atrizes Laverne Cox, Jen Richards e Alexandra Billings, a historiadora Susan Stryker e cineastas como Lilly Wachowski e Yance Ford (que, inclusive, é o primeiro diretor transgênero indicado…

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    Olla, de Ariane Labed

    Com clara influência do longa Jeanne Dielman, 23, Quai du Commerce, 1080 Bruxelles (1975), da diretora Chantal Akerman, Olla (2019) é a estreia bem sucedida da atriz francesa Ariane Labed (A Lagosta) atrás das câmeras. O trocadilho com o nome que ela recebe ao chegar, ao menos no Brasil permite uma associação erótica, uma das facetas bem trabalhadas na protagonista Olla (Romanna Lobach), que deixa a Ucrânia e vai para a França morar com Pierre, que ela conheceu pela internet e que vive com a mãe idosa. O curta de 27 minutos não brinca apenas com as discrepâncias da linguagem, mas com expectativas masculinas, direitos e desejos femininos, tantas vezes agredidos e silenciados. Destaque para…

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    Filhas do Sol

    Indicado à Palma de Ouro no Festival de Cannes em 2018, Filhas do Sol, dirigido por Eva Husson, chegou ao catálogo do Telecine. A história, baseada em fatos reais, é contada sob o ponto de vista de uma jornalista francesa, Mathilde (Emmanuelle Bercot), que se junta ao grupo de mulheres curdas lideradas por Bahar (Golshifteh Farahani). Os curdos são um povo sem território e no caso retratado no filme estão no Irã. O ISIS havia tomado a vila onde Bahar morava, fuzilando homens e levando crianças. Em luta armada, as mulheres curdas são a ofensiva contra o avanço do ISIS. Isabel WittmannCrítica de cinema, doutoranda em Antropologia Social, pesquisa corpo, gênero…

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    One Child Nation

    A cineasta Nanfu Wang nasceu na China em 1985, em plena política do filho único. Junto com Jialing Zhang, ela é a responsável pelo documentário One Child Nation, disponível na Amazon Prime Video  e que aborda justamente esse tema. Conversando com pessoas que trabalharam na política e na saúde de sua vila e mesmo com seus familiares, ela descortina parte do sistema de propaganda que alardeava os benefícios para o país e para os adultos de se ter apenas um filho. Mas o filme não pára na superfície daquilo que sabemos e segue o debate sobre as consequências menos comentadas, como a mortandade de meninas e o tráfico de bebês, muitas…

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    Capitã Marvel

    Capitã Marvel, história de origem da heroína da Marvel, protagonizada pela Brie Larson e dirigida pela dupla Anna Boden e Ryan Fleck, chegou ao serviço de streaming da Amazon. A heroína é uma terráquea que faz parte de um exército extraterrestre. Em 1995 ela vem à terra tentar evitar uma invasão alienígena e ai tem que lidar com os flashes de memórias que têm no local. É uma boa pedida para quem deixou passar nos cinemas e depois ainda pode emendar o nosso programa sobre o filme na sequência!  Isabel WittmannCrítica de cinema, doutoranda em Antropologia Social, pesquisa corpo, gênero e cinema e é feminista. estantedasala.com