Críticas

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    Tampopo, cinema e sabores

    Bora começar falando de coisa boa? Comida! Eu amo comida! Amo sovar uma massa e ver ela crescer com paciência para virar um pão ou pizza. Amo preparar um ganache e abrir uma massa de torta para montá-la. Amo bater um bolinho rápido, que perfuma a casa, quando chega uma visita. Amo especialmente os aromas: aquele das especiarias espalhando pelo ambiente, especialmente quando aquecidas na frigideira; de legumes assando com ervas; de cebola e alho fritando; do dendê na panela no preparo de uma moqueca. Enfim, sou da cozinha, sou dos aromas e dos sabores. Mas mais que tudo, gosto de comer. Comida boa é algo imensamente prazeroso e não raro lugares e memórias…

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    A Idade Dourada (Gilded Age)

    Pra quem gosta de filme ou série de época, como eu, tem novidade boa: Julian Fellowes está lançando A Idade Dourada (The Gilded Age) pela HBO Max. Se o nome do autor não despertou nenhuma memória, ele é oscarizado pelo roteiro de Assassinato em Gosford Park (Gosford Park, 2001), o whodunit do Robert Altman, e também roteirizou o Feira das Vaidades (Fanity Fair, 2004), protagonizado pela Reese Witherspoon e dirigido pela Mira Nair; e A Jovem Rainha Vitória (The Young Victoria, 2009), do Jean-Marc Valleé com a Emily Blunt. Mas talvez seu trabalho mais conhecido seja Downton Abbey (2010-2015), seriado que se passava na década de 1920 e acompanhava gerações da família Crowley, do condado de Grantham e, portanto, da nobreza britânica, que criou e roteirizou. Até a…

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    Cow

    O quinto longa (e primeiro documentário) da cineasta Andrea Arnold, é, na verdade, um filme (quase) mudo de terror. Luma, a protagonista, é uma vaca leiteira em uma fazenda comum da Inglaterra. Um rápido google após o filme me informa que a expectativa de vida de uma vaca gira em torno de 20 anos, mas vacas leiteiras podem não chegar aos 8. A gestação é viável a partir dos 2 anos, mas algumas fontes defendem que aos 14 meses já é possível sem riscos. Ela dura de 9 a 10 meses e o intervalo entre partos pode ser de cerca de 12 meses, para aumentar a produção. Uma vida inteira…

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    Titane

    Em Raw, Julia Ducournau já havia mostrado a que veio, usando o canibalismo para abordar crescimento, sexualidade e, mesmo, pertencimento, num filme único e provocativo (que eu amo). Em Titane, de certa forma, repete esses temas e o body horror, mas os explora de outras formas, talvez ainda mais extremas. Com imagens evocativas, que devem ficar na minha memória por muito tempo, o filme borra diversas fronteiras na própria protagonista. O corpo de Alexia é ciborgue e atrai o interesse de estranhos. É, ao mesmo tempo, humano-máquina, que busca sexo na máquina e afeto no humano. O sex appeal do inorgânico, conforme estabelecido por Mario Perniola, se manifesta para ela…

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    Ataque dos Cães

    Eu já escrevi sobre como Jane Campion trabalha a relação entre erotismo e morte, tão bem analisada por Bataille, no seu Em Carne Viva. Em Ataque dos Cães voltam a se entrelaçar a pulsão de morte que se mistura ao desejo. Como em O Piano, Rose é rodeada por um ambiente natural (e também social) hostil, em que precisa medir forças com um homem que acaba de conhecer. Dessa vez trata-se da figura bruta de Phil. Mas Rose não é Ada. É uma mulher frágil e mesmo seu piano não é uma ferramenta de expressão, mas mais um elemento de pressão que se soma a outros em torno de sua trajetória…

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    Missa da Meia-Noite

    A minissérie Missa da Meia Noite (Midnight Mass, 2021) deve ser o melhor trabalho do diretor Mike Flanagan. E também deve ser a maior quantidade de missa que vi em 20 anos. É interessante como estamos acostumados a ver o catolicismo, quando em contexto de narrativas de terror, vinculado principalmente a possessões demoníacas e exorcismos. Mas a premissa aqui parte da própria ritualística: e se o tomar o corpo e sangue na comunhão fosse mais real? Transformar o rito de canibalismo simbólico e sagrado em literal e profano. São muitas sequências que se passam em missas e a criação católica do cineasta transparece: não são caricatas, mas seguem a gestualidade,…

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    Mrs. America

    Assisti à minissérie Mrs. America, baseada na história da ativista e lobista estadunidense contra a igualdade de gênero e os direitos das mulheres Phyllis Schlafly, interpretada por Cate Blanchett. (Sim, isso existe, mulheres contra os direitos das mulheres). O recorte histórico abarca de 1972 até 1981, período em que se tentava aprovar, nos EUA, uma emenda constitucional de Igualdade de Direitos. Gostei muito da recriação de época e também do foco, que a cada episódio se desloca para uma personagem diferente, passando pela própria Phyllis, mas também pelas feministas Gloria Steinem (Rose Byrne), Shirley Chisholm (Uzo Aduba), Bella Abzug (Margo Martindale), Betty Friedan (Tracey Ullman), Jill Ruckelshaus (Elizabeth Banks), entre…

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    Jane Eyre e suas adaptações

    Esse mês o livro escolhido para leitura e conversa no Grupo de Leitura do Feito por Elas foi Jane Eyre, de Charlotte Brontë. Ele é um dos meus preferidos da vida e eu poderia ter participado dos debates informalmente, mas optei por relê-lo. E uma vez tendo feito isso, resolvi, talvez obcecadamente, ver algumas de suas adaptações audiovisuais. Nesse texto contarei um pouco de minhas impressões. Começando pelo livro: que leitura maravilhosa! Jane Eyre, a protagonista que dá nome à trama, é uma garota órfã de 10 anos que é enviada pela esposa de seu falecido tio para um internato de caridade para meninas sem posses. Cresce em meio aos…

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    Yentl

    Barbra Streisand é uma das 21 pessoas chamadas de EGOT. Isso significa que já foi premiada com Emmy (prêmio de televisão), Grammy (música), Oscar (cinema) e Tony (teatro). Começou a sua carreira na Broadway como cantora e seu primeiro papel no cinema já foi um sucesso absoluto: Funny Girl: A Garota Genial( Funny Girl, 1968), dirigido por William Wyler, que mostra uma comediante no começo do século XX, chamada Fanny, papel que ela já havia interpretado na Broadway. Destaco, ainda, seu papel em Essa Pequena é Uma Parada (What’s Up Doc, 1972), de Peter Bogdanovich, uma comédia maluca com Ryan O’Neil, que envolve malas trocadas e muitas confusões estilo sessão…

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    A Vida é uma Dança e a obra de Dorothy Arzner

    Dorothy Arzner é uma das pioneiras do cinema. Nasceu em 1897 e começou a trabalhar como diretora no final da década de 1920, ainda no cinema mudo. Fez a transição para o cinema sonoro e trabalhou até 1943, sendo a única mulher que se saiba estar dirigindo filmes em Hollywood ao longo da década de 1930. Foi também a primeira mulher a integrar o Sindicato dos Diretores nos Estados Unidos. Curiosamente, eu estava vendo, esses dias, o documentário Alice Guy-Blaché: A História Não Contada da Primeira Cineasta do Mundo (Be Natural: The Untold Story of Alice Guy-Blaché, 2018), dirigido por Pamela B. Green e nele aparece uma carta de Guy…