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    Jane Eyre e suas adaptações

    Esse mês o livro escolhido para leitura e conversa no Grupo de Leitura do Feito por Elas foi Jane Eyre, de Charlotte Brontë. Ele é um dos meus preferidos da vida e eu poderia ter participado dos debates informalmente, mas optei por relê-lo. E uma vez tendo feito isso, resolvi, talvez obcecadamente, ver algumas de suas adaptações audiovisuais. Nesse texto contarei um pouco de minhas impressões. Começando pelo livro: que leitura maravilhosa! Jane Eyre, a protagonista que dá nome à trama, é uma garota órfã de 10 anos que é enviada pela esposa de seu falecido tio para um internato de caridade para meninas sem posses. Cresce em meio aos…

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    Yentl

    Barbra Streisand é uma das 21 pessoas chamadas de EGOT. Isso significa que já foi premiada com Emmy (prêmio de televisão), Grammy (música), Oscar (cinema) e Tony (teatro). Começou a sua carreira na Broadway como cantora e seu primeiro papel no cinema já foi um sucesso absoluto: Funny Girl: A Garota Genial( Funny Girl, 1968), dirigido por William Wyler, que mostra uma comediante no começo do século XX, chamada Fanny, papel que ela já havia interpretado na Broadway. Destaco, ainda, seu papel em Essa Pequena é Uma Parada (What’s Up Doc, 1972), de Peter Bogdanovich, uma comédia maluca com Ryan O’Neil, que envolve malas trocadas e muitas confusões estilo sessão…

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    A Vida é uma Dança e a obra de Dorothy Arzner

    Dorothy Arzner é uma das pioneiras do cinema. Nasceu em 1897 e começou a trabalhar como diretora no final da década de 1920, ainda no cinema mudo. Fez a transição para o cinema sonoro e trabalhou até 1943, sendo a única mulher que se saiba estar dirigindo filmes em Hollywood ao longo da década de 1930. Foi também a primeira mulher a integrar o Sindicato dos Diretores nos Estados Unidos. Curiosamente, eu estava vendo, esses dias, o documentário Alice Guy-Blaché: A História Não Contada da Primeira Cineasta do Mundo (Be Natural: The Untold Story of Alice Guy-Blaché, 2018), dirigido por Pamela B. Green e nele aparece uma carta de Guy…

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    [44ª Mostra de São Paulo] Walden

    Esta crítica faz parte da cobertura da 44ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que ocorre entre 22 de outubro e 4 de novembro em formato online Jana (Ina Marija Bartaité) é uma jovem filha de um funcionário público bem posicionado na Lituânia, em um momento em que a União Soviética estava próxima do fim. Ela conhece Paulius, um rapaz que adota uma estética punk e que ganha dinheiro com o mercado negro. Escrito e dirigido por Bojena Horackova, Walden (2020) se apresenta como uma espécie de história de Romeu e Julieta, em que as expectativas e realidades de ambos os colocam em lugares diferentes no contexto em que…

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    [44ª Mostra de São Paulo] Sem Ressentimentos

    Esta crítica faz parte da cobertura da 44ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que ocorre entre 22 de outubro e 4 de novembro em formato online Parvis (Benny Radjaipour) é um jovem filho de migrantes iranianos morando na Alemanha. Em uma balada, foi flagrado roubando uma garrafa de bebida do bar e sua pena consiste em 120 horas de trabalho comunitário em um abrigo para refugiados. Lá ele conhece os irmãos Banafshe (Banafshe Hourmazdi) e Amon (Eidin Jalali), recém chegados do Irã. Sem Ressentimentos (Wir, 2020), dirigido por Faraz Shariat e escrito por ele em parceria com Paulina Lorenz, aborda a amizade e a identificação entre os três.…

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    [44ª Mostra de São Paulo] Dias

    Esta crítica faz parte da cobertura da 44ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que ocorre entre 22 de outubro e 4 de novembro em formato online Apenas dois personagens e poucas ações: assim se desdobra Days (Rizi, 2020), escrito e dirigido por Ming-liang Tsai. Kang (Kang-sheng Lee) mora em uma casa espaçosa e confortável, com grandes panos de vidro. Non (Anong Houngheuangsy) mora em um pequeno apartamento que mais parece uma garagem, com janelas cobertas por lençol. As ações mais cotidianas são retratadas por meio de planos longos, com a câmera parada e distante dos dois protagonistas. Kang observa a a chuva cair, sentado. A imagem é levemente…

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    [44ª Mostra de São Paulo] Rose Interpreta Julie

    Esta crítica faz parte da cobertura da 44ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que ocorre entre 22 de outubro e 4 de novembro em formato online A questão moral apresentada no começo do filme já é uma uma dica para seu desfecho. Rose (Ann Skelly), a protagonista, é uma jovem universitária, estudante de medicina veterinária. Seu professor apresenta um slide sobre eutanásia e informa que muitos profissionais são solicitados para eutanasiar animais saudáveis, geralmente por causa de mau comportamento. Esse é o ponto central da trama de Rose Interpreta Julie (Rose Plays Julie, 2019), escrito e dirigido por Christine Molloy e Joy Lawlor: o que fazer com um…

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    [44ª Mostra de São Paulo] Farewell Amor

    Esta crítica faz parte da cobertura da 44ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que ocorre entre 22 de outubro e 4 de novembro em formato online Walter (Ntare Guma Mbaho Mwine), um homem angolano, mora nos Estados Unidos há dezessete, em um pequeno apartamento com um só quarto. Agora sua esposa, Esther (Zainab Jah), e sua filha, Sylvia (Jayme Lawson) chegaram ao país para morar com ele depois de todos esses anos afastadas. E os três terão que aprender a conviver e mais que isso, redescobrir quem eles são um para o outro. Farewell Amor (2020), escrito e dirigido por Ekwa Msangi, mostra as mágoas guardadas e os…

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    [44ª Mostra de São Paulo] Meu Rembrandt

    Esta crítica faz parte da cobertura da 44ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que ocorre entre 22 de outubro e 4 de novembro em formato online. Uma senhora com véu olha para baixo, lendo o livro que segura entre suas mãos. Seu rosto, parcialmente sombreado pelo tecido, é iluminado de maneira precisa no centro. A parte debaixo de seu capuz reluz amarela. Há toques de vermelho nos lábios e pálpebras e de laranja e rosa nas bochechas. Um pincelada de branco, sutil, e cada olho adquire seu brilho. Belíssimo. Único. Imediatamente reconhecível em seu estilo. Trata-se de um quadro de Rembrandt pendurado em uma enorme parede de um…

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    [44ª Mostra de São Paulo] A Deusa dos Vagalumes

    Esta crítica faz parte da cobertura da 44ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que ocorre entre 22 de outubro e 4 de novembro em formato online. Em uma cidade canadense dos anos 90, Catherine (Kelly Depeault), completa 14 anos, enquanto seus pais brigam e a violência se torna física. A Deusa dos Vagalumes (La déesse des mouches à feu, 2020) é uma história de crescimento com marcada autoria de mulheres: a direção é de Anaïs Barbeau-Lavalette e o roteiro de Catherine Léger, adaptado do livro de Geneviève Pettersen. O tipo de trajetória que a menina vai percorrer fica explícito logo de início quando sua mãe lhe entrega seu…