• Cinema,  Críticas e indicações,  Filmes

    O Macaco (2025)

    Em letras chamativas, o cartaz nacional de O Macaco (The Monkey) destaca os nomes de Osgood Perkins (diretor e roteirista), Stephen King (autor original) e James Wan (produtor), um trio que costuma remeter ao gênero do horror. A publicidade brasileira do filme faz coro, indica que é um “terror repleto de humor macabro e mortes surreais”, frase que, embora acertada em algumas partes, também foi o fermento para a decepção de muitas pessoas. Se a onda de terror elevado, horror psicológico, entre outros termos utilizados, quase colocou o gênero como algo menos digno, dando a algumas obras o rótulo de suspense, drama ou qualquer outro, como se o terror não…

  • Cinema,  Críticas e indicações,  Filmes

    Homens de Barro (2024)

    Com nomes incomuns e uma narração em off descrevendo suas histórias, dois meninos, Pássaro e Marciano, vivem vidas normais, até certo ponto, de crianças em uma cidade muito pequena, com mais natureza do que perspectivas. No entanto, a história de Homens de Barro não pretende de forma alguma se distanciar ou esconder sua referência shakesperiana, sublinhando uma proximidade com a literatura e com a tragédia. Assim, a voz que descobre-se mais tarde ser de Ângelo (João Pedro Prates), o irmão que era pouco relevante na introdução do longa, narra como sua família, os Miranda, travam uma rivalidade de anos com os Tamai, poeticamente situados lado a lado, vizinhos de casa…

  • Cinema,  Críticas e indicações,  Filmes

    Parque de Diversões (2024)

    É noite na cidade, pessoas caminham de diversas direções até um mesmo ponto central. A escuridão urbana contorna os rostos, ninguém diz nada, ninguém tem nome, nem história, mas seus rostos são bem retratados, em foco. Quando a primeira personagem chega aos portões e os rompe, abre-se um novo mundo, resgatando um lado mais animalesco do instinto sexual, até por isso a primeira pessoa a desbravar o parque o faz justamente subindo em uma árvore. Parque de Diversões inicia então sua observação voyeur, convidando a pessoa espectadora a participar de um jogo entre diferentes experiências, mas com seu ritmo bem estabelecido entre as preliminares e o ápice. Os personagens praticamente…

  • Cinema,  Críticas e indicações,  Filmes

    [48ª Mostra de São Paulo] No Other Land

    Este texto faz parte da cobertura da 48ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que ocorre entre 17 e 30 de outubro. Usando o poder das imagens para registrar abusos militares contra palestinos, em um recorte específico, o coletivo de cineastas e jornalistas impõe suas câmeras como armas de defesa e ataque O que os créditos e a sinopse dizem sobre No Other Land é que há uma junção de israelenses e palestinos em sua direção, o que não quer dizer de forma alguma que o filme propõe um contraponto ou qualquer diálogo sequer sobre diferentes pontos de vista. Embora Rachel Szor e Yuval Abraham sejam de Israel e…

  • Cinema,  Críticas e indicações,  Filmes

    [48ª Mostra de São Paulo] Malu

    Este texto faz parte da cobertura da 48ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que ocorre entre 17 e 30 de outubro. Pedro Freire faz excelente análise dos traumas geracionais, íntimos e de um país, retratado a partir de uma personagem complexa, encantadora e terrível A cena que introduz o longa é certeira na apresentação de Malu (Yara de Novaes), uma mulher de riso largo e muitos sons. O retrato livremente inspirado na mãe do diretor, Pedro Freire, não é somente um estudo de personagem, mas um filme que usa essa personalidade complexa de sua protagonista para também perceber uma transição entre gerações no Brasil. A atriz fala palavrões…

  • Cinema,  Críticas e indicações,  Filmes

    [48ª Mostra de São Paulo] Manas

    Este texto faz parte da cobertura da 48ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que ocorre entre 17 e 30 de outubro. Sutil e responsável em sua abordagem da violência, Mariana Brennand acompanha com cuidado potências femininas que elevam sua narrativa de denúncia Habituada ao cinema documental, Mariana Brennand encontrou na ficção uma maneira de denunciar violências sem expor suas vítimas e, com essa mesma sensibilidade que é base de sua feitura, traz muita sutileza e responsabilidade para abordar a temática central. Nos anos 70, Iracema – Uma Transa Amazônica colocava uma protagonista muito jovem em Belém, a retratando entre o documentário e a ficção dentro das maiores problemáticas…

  • Cinema,  Críticas e indicações,  Filmes

    Pasárgada (2024)

    Dira Paes estreia na direção explorando a natureza como chave da transformação de uma protagonista controversa, mas ficam claras suas dificuldades para estruturar o longa. É comum o movimento de pessoas que atuam e decidem desbravar o lugar da direção sem muita experiência anterior do outro lado das câmeras, com todo tipo de resultado, dos que surpreendem, os medianos e os que decepcionam. Dira Paes não somente estreia como diretora, mas acumula funções na feitura de seu primeiro filme, algo que é muito visto no cinema independente feito por mulheres, em que obras são dirigidas, protagonizadas, escritas, produzidas e algumas vezes até montadas por uma mesma cineasta. Em Pasárgada, Dira…

  • Críticas e indicações,  Filmes

    Caminhos Cruzados (2024)

    A partir de buscas determinadas, Levan Akın ressalta a beleza dos encontros pelo acaso e o que nasce quando tramas paralelas se entrelaçam Quando Lia (Mzia Arabuli) decide que sairá de casa em busca da sobrinha Tekla, é por acaso que encontra Achi (Lucas Kankava) e deixa que ele some à sua jornada. Daí pra frente, essa pequena sorte do destino determina grandes coisas em suas vidas e de todos os caminhos que irão cruzar. Ao atravessar a fronteira da Geórgia com a Turquia, o jovem rapaz nota com surpresa que não há nenhuma diferença, tudo parece igual ao passar pelo portal em que verificam o passaporte para que cada…

  • Cinema,  Críticas e indicações,  Filmes

    Orlando, Minha Biografia Política (2023)

    Usando a obra de Virginia Woolf para dar contorno a diversas vivências, Paul B. Preciado eleva a figura da autora enquanto discute questões fundamentais  A identificação de Paul B. Preciado com Orlando torna-se nesse filme mais do que uma homenagem à figura de Virginia Woolf e seu livro, mas uma exaltação da obra enquanto um diálogo entre seu conteúdo e a história das pessoas trans, utilizando o texto para colocar em pauta desafios enfrentados por essas representações modernas do protagonista da escritora. Em uma conversa direta entre os autores, é a própria jornada do diretor que se costura ao redor da história de todos os personagens, que apresentam seus relatos…

  • Cinema,  Críticas e indicações,  Filmes

    Toda Noite Estarei Lá

    Tati Franklin e Suellen Vasconcelos nem sempre mantém o foco na batalha contra a igreja, mas dão contornos interessantes com o retrato bastante humano de sua protagonista Mel Rosário contraria a expectativa de vida das pessoas trans no Brasil por muito, com quase 60 anos, um salão de beleza e uma crença muito forte em Deus, sua principal batalha além da diária para sobreviver, também como qualquer pessoa pobre no país, é contra a igreja evangélica do bairro que não permite sua entrada. Além dos protestos que a mulher faz todas as noites com cartazes na frente do local, um processo judicial corre há anos, e mesmo depois de perder,…