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[Tribeca 2026] You Tryna Say You Love Me?, de Ty Molbak

Em uma noite qualquer, um restaurante chamado Rick’s é o lugar para começos (ou recomeços). Não é mais 1941 e nem estamos no Marrocos, mas a tracking shot que abre o curta You Tryna Say You Love Me?, de Ty Molbak, desperta um sentimento de familiaridade. O letreiro da lanchonete onde vamos acompanhar, por 11 minutos, uma conversa entre duas pessoas remete a Casablanca. Neste Rick’s do século 21, um encontro é a promessa de dois corações à deriva.

A melancolia é latente no filme, desde a trilha sonora (com um piano tão triste que poderia ser tocado pelo Sam de Dooley Wilson a pedido do Rick de Humphrey Bogart no clássico de Michael Curtiz) à interação naquela mesa. De forma tímida, ele (Asante Blackk) responde às perguntas dela (Malia Pynes) e logo descobrimos um mundo de traumas em uma conversa que começa com os dois tentando decifrar uma espécie de etimologia emocional da palavra “amor”.

Molback faz um jogo simples de plano e contraplano para mostrar uma pessoa se abrindo para a outra. Quando a guarda começa a baixar, a câmera também dança, em um giro de 180 graus que simboliza a desconfiança se dissolvendo entre os dois. You Tryna Say You Love Me? termina com o tom vago que o personagem de Asante pondera preferir. Assim como a noite do lado de fora, aquela mesa do Rick’s guarda um mundo de possibilidades para além do que o público vai ver.

Crítica de cinema, membra da Abraccine, amazonense, 30+, ama novela mexicana

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