Indicações,  Seriados

Faz de Conta que NY é uma Cidade

Se tem um “homem cineasta” na ativa que mora no meu coração, esse é Martin Scorsese, nosso simpático velhinho do Up- Altas Aventuras. Tem filme que eu gosto mais, tem filme que eu gosto menos, mas estou sempre esperando o próximo. E aí veio essa notícia de que ele realizou uma minissérie que chegou à Netflix meio na surdina: Faz de Conta que NY é uma Cidade (Pretend It’s a City, 2021) e eu não posso deixar de recomendar, porque eu mesma só fiquei sabendo dela por um amigo. Trata-se de uma série de conversas dele com Fran Lebowitz, intercaladas com gravações de entrevistas televisivas e apresentações ao vivo. Além de amiga de longa data do diretor, Fran, hoje nos seus 70 anos, é escritora e muito vocálica sobre os assuntos que a movem, suas vivências na cidade de Nova York, os livros que possui, a comunidade LGBT, os direitos das mulheres e a política em geral. É claro que é possível não concordar sempre com suas falas: me parece que ela se distanciou das dificuldades da classe trabalhadora há algum tempo já. Mas seus comentários, rápidos e afiados, são de uma sagacidade que encanta independente do conteúdo e arrancam boas risadas, incluindo de seu interlocutor. Scorsese não se furta a rir de cada frase proferida pela amiga e esse talvez seja um dos aspectos mais gostosos da série: a proximidade entre os dois que costura esses relatos de décadas. A série despertou em mim o interesse pela obra da escritora e estou lendo (e recomendo) The Fran Lebowitz Reader, que reúne dois de seus livros: Metropolitan Life e Social Studies, lançados quando tinha seus vinte e poucos e trinta e poucos anos, respectivamente. Eles são um compilado de crônicas e textos desse período e são, portanto, vinculados ao momento em que foram escritos. Mas já demonstram o humor e a acidez da escritora na forma habilidosa como lida com as palavras.
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