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10 mulheres protagonistas em filmes brasileiros contemporâneos

A história do cinema nacional é uma história de lutas. Enfrentando escassez de recursos, financiamentos e incentivos, passando por censuras e outros tipos de dificuldades, um filme brasileiro quando ganha as telas se torna parte de um patrimônio cultural em risco. Isso reflete em como nossa produção cinematográfica é marcada por ciclos, momentos de altos e baixos.  

No dia 19 de junho é comemorado o Dia do Cinema Brasileiro. Esta data foi escolhida em referência a ocasião em que, segundo historiadores, o ítalo-brasileiro Afonso Segreto se tornaria o primeiro diretor e cinegrafista do país. Em 19 de junho de 1898, ele fez as primeiras imagens em movimento do Brasil, registrando a Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, a bordo de um navio que chegava da França, onde ele comprou sua câmera. 
De lá para cá já são inúmeras as imagens e paisagens que compõem o cinema nacional, assim como a diversidade de narrativas e personagens. Aqui, aproveitamos a oportunidade da data comemorativa para listar 10 protagonistas femininas marcantes – sendo duas personalidades reais – de filmes brasileiros contemporâneos que podem ser vistos no serviço de streaming Telecine.

Dora em Central do Brasil (1998)

Dora é uma professora aposentada que, diante da difícil situação financeira, complementa seus ganhos escrevendo cartas para analfabetos na estação de trens metropolitanos Central do Brasil, no Rio de Janeiro. Uma de suas clientes, Ana, tenta reaproximar o filho Josué do pai, que está distante, mas ela morre ao sair da estação. Dora então se vê responsável pela criança e acompanha o menino numa jornada ao encontro do pai desaparecido. Central do Brasil (1998) é estrelado por Fernanda Montenegro, que recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz. E deveria ter ganhado! O longa é dirigido por Walter Salles e escrito por João Emanuel Carneiro e Marcos Bernstein, e também foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

Preta, Barbarah, Mayah e Lena em Antônia – O filme (2006)

Na Vila Brasilândia, periferia de São Paulo, Preta (Negra Li), Barbarah (Leila Moreno), Mayah (Quelynah) e Lena (Cindy) são quatro jovens mulheres negras, amigas desde a infância e que tentam ganhar a vida por meio da música. Elas deixam de ser backing vocals de um conjunto de rap formado por homens para montar o próprio grupo, o qual batizam de Antônia. Descobertas por um empresário, elas passam a cantar rap, soul, MPB e pop em bares e festas da classe média. Mas quando o sonho de melhorar de vida parece começar a se tornar realidade, o cotidiano de violência, machismo e racismo em que vivem ameaça o grupo. Dirigido por Tata Amaral, que também escreveu o roteiro ao lado de Roberto Moreira, Antônia – O filme (2006) recebeu o prêmio do júri de Melhor Filme no Queer Lisboa – Festival Internacional de Cinema Queer – e o Prêmio Petrobras Cultural de Difusão na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

Clara em Aquarius (2016)

Em Aquarius (2016), Sônia Braga interpreta Clara, uma jornalista aposentada, viúva e mãe de três filhos adultos. Ela vive tranquilamente há muitos anos em um antigo e charmoso edifício na Praia da Boa Viagem, em Recife, onde também estão grandes memórias suas e de sua família. Mas ela tem sua vida perturbada pelas constantes investidas e ameaças de uma construtora que quer fazer do local um novo empreendimento. A construtora tenta de todas as formas comprar o apartamento de Clara, mas ela resiste como única moradora do condomínio que se recusa a vender. Escrito e dirigido por Kleber Mendonça Filho, o filme foi indicado à Palma de Ouro em Cannes e ganhou prêmios em diversos outros festivais nacionais e internacionais.

Elis Regina em Elis (2016)

Elis (2016) é uma cinebiografia que narra a trajetória de Elis Regina desde jovem, quando ainda buscava seu grande sonho, até conquistar o Brasil. Com sua voz marcante, personalidade intensa, polêmica e de talento único, Elis teve uma vida e uma carreira marcadas por altos e baixos. No papel deste grande ícone da música brasileira está Andréia Horta, que tem semelhanças físicas com a cantora, mas que não se limita a isso. Por seu dedicado trabalho de interpretação, inclusive nas dublagens das músicas, ela levou prêmios nacionais importantes, como no Festival de Gramado.

Glória e Camila em Praça Paris (2017)

Glória (Grace Passô) é uma mulher negra carioca que tenta seguir em frente com a vida, apesar dos traumas causados por um pai abusivo e um irmão envolvido com o tráfico de drogas. Ela trabalha como ascensorista na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e começa a fazer terapia com Camila (Joana de Verona), uma jovem branca, psicanalista portuguesa da universidade. Apesar do vínculo criado, as realidades de ambas se confrontam, evidenciando uma forte tensão sócio-política, com foco no racismo estrutural. Praça Paris (2017) tem direção de Lúcia Murat – ouça nosso podcast sobre a diretora aqui – que também assina o roteiro juntamente com Raphael Montes. Destaque para a atuação fascinante de Grace Passô, uma das nossas maiores atrizes em atividade. O filme participou da Première Brasil do Festival do Rio e saiu vencedor nas categorias de Melhor Atriz e Melhor Direção.

Irene em Benzinho (2018)

Atriz principal e roteirista do filme, Karine Teles faz o papel de Irene, que mora com o marido Klaus (Otávio Müller) e seus quatro filhos. Exausta devido às inúmeras tarefas que cumpre para manter tudo em ordem, entre estudos, trabalhos e relações – incluindo o apoio à irmã Sônia (Adriana Esteves), seus conflitos internos são colocados à prova quando o filho mais velho anuncia a ida para a Alemanha, para jogar handebol, em menos de um mês. Dirigido por Gustavo Pizzi, Benzinho (2018) foi exibido nos Festivais de Sundance e de Roterdã e levou vários prêmios no Grande Prêmio de Cinema Brasileiro.

Joana em Deslembro (2018)

Joana (Jeanne Boudier) é uma adolescente que teve o pai refém como prisioneiro político durante os anos de ditadura no Brasil. Ela passou quase toda a sua vida em Paris, cidade onde sua família se exilou. Quando foi decretada a Lei da Anistia, a família decide voltar, mas Joana resiste, pois teme mudanças e está apegada aos laços criados no exterior. De volta a sua cidade natal, suas memórias amargas de tempos difíceis vêm à tona, causando um forte desconforto, ao mesmo tempo que há um reencontro com suas origens e sua identidade brasileira. Destaque também para a avó da protagonista, vivida por Eliane Giardini. Escrito e dirigido por Flávia Castro, Deslembro (2018) ganhou prêmios no Festival de Biarritz e Festival do Rio. Ouça nosso podcast em que entrevistamos a diretora aqui.

Tati em Ferrugem (2018)

Dirigido por Aly Muritiba, que também escreveu o roteiro ao lado de Jessica Candal, Ferrugem (2018) conta a história da adolescente Tati (Tiffanny Dopke), que sofre a ação criminosa de divulgação de seus registros íntimos num grupo de WhatsApp da turma do colégio. Dividido em duas partes, o filme primeiro se dedica à personagem feminina e depois foca em Renet (Giovanni de Lorenzi), garoto com quem Tati mantinha contato na internet e estava conhecendo também na vida offline. O filme ganhou o Kikito de Ouro no Festival de Gramado de Melhor Filme, Melhor Roteiro e Melhor Som.

Ana em Mormaço (2018)

No verão de 2016, um dos mais quentes da história, a cidade do Rio de Janeiro se prepara para os Jogos Olímpicos. Ana (Marina Provenzzano) trabalha como defensora pública e tenta impedir que as famílias da Vila Autódromo sejam removidas de suas moradas pelas obras do Parque Olímpico. Ela também se vê perturbada pelo risco de perder o próprio apartamento por causa da especulação imobiliária e por uma doença misteriosa que lhe acomete. Ela começa a notar que em seu corpo estão surgindo marcas muito estranhas cada vez maiores e sem diagnóstico. Este é o primeiro longa-metragem solo da diretora Marina Meliande. Mormaço (2018) teve sua estreia na competição oficial do Festival de Roterdã, na Holanda, e foi exibido pela primeira vez no Brasil na mostra competitiva do Festival de Gramado. No Festival do Rio, foi exibido na Mostra Novos Rumos, onde recebeu menção honrosa do júri. Confira aqui nossa entrevista com a diretora e com as atrizes Marina Provenzzano e Sandra Maria.

Hebe em Hebe: A Estrela do Brasil (2019)

Hebe Camargo se consagrou como uma das apresentadoras mais emblemáticas da televisão brasileira e para vivê-la no cinema, Andréa Beltrão faz um belo trabalho de caracterização sem cair em representação caricatural. A carreira de Hebe passou por diversas mudanças ao longo dos anos, mas o filme Hebe: A Estrela do Brasil (2019) se concentra na década de 80, período de transição da ditadura para a democracia, em que Hebe, ao 60 anos, tomou a decisão de controlar a própria carreira. Enfrentando críticas machistas, um marido abusivo e chefes poderosos, se revelou para o público como uma mulher provocativa, determinada e à frente de seu tempo, apesar de polêmicas políticas.

Esses e outros filmes brasileiros você encontra no serviço de streaming do Telecine.

Esse conteúdo foi produzido pelo Feito por Elas, de maneira patrocinada, em parceria com o Telecine.  
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