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The Celluloid Closet (1995) 

Publicado originalmente em 11/06 na newsletter para assinantes do financiamento coletivo do Feito por Elas. Para contribuir com o projeto, assine aqui.


Para as pessoas apaixonadas por cinema The Celluloid Closet (1995) é uma prato cheio. Eu já havia visto ele em 2014 com o título O Outro Lado de Hollywood e agora foi chegou novamente com outro nome, Celuloide Secreto, sendo que nenhum deles capta exatamente a ideia de manter no armário que o título original guardava. Adaptado do livro de Vito Russo e dirigido por Rob Epstein (O mesmo de Os Tempos de Harvey Milk) e Jeffrey Friedman, o filme aborda as representações de personagens gays, lésbicas e bissexuais no cinema. Sim, mesmo dentro da comunidade, existem apagamentos e a transgeneridade não é abordada. 

O início do cinema no hemisfério norte floresceu em representações ambíguas, das comédias do cinema silencioso com personagens masculinos efeminados de sexualidade ambígua, passando para os primeiros beijos entre personagens do mesmo gênero, até Marlene Dietrich e Garbo provocantes em roupas masculinas, ao pânico moral da censura. Daí para frente a punição de personagens queer se tornou recorrente, com mortes obrigatórias nas narrativas. 

O documentário, narrado por Lilly Tomlin, traz depoimentos de atores, atrizes, roteiristas e outras pessoas profissionais que tiveram papeis importantes na construção dessa história. Alguns deles mesmos LGBs, relatam suas relações pessoais com as obras abordadas, outros sua função profissional na elaboração delas. 

Shirley MacLaine, por exemplo, relata que quando ela e Audrey Hepburn fizeram o pavoroso Infâmia (1961), em que duas professoras são acusadas por uma criança de terem um relacionamento, com consequências desastrosas, na época nunca chegaram a conversar uma com a outra sobre o filme. Ela comenta que é engraçado como isso nunca passou pela cabeça delas, elaborar sobre a história em que estavam trabalhando. 

Já Gore Vidal, roteirista não creditado de Ben-Hur (1959), conta como convenceu o conservador Charlton Heston a fazer o filme como ele queria: uma história de amor entre o personagem título e Messala (Stephen Boyd), que se reescontram anos depois, fazendo com que só o segundo ator soubesse disso e Heston atuasse em resposta a intensidade dele sem saber. 

O filme é cheio dessas pequenas historietas e curiosidades e algumas delas são frutos de seu tempo. O fato de ele acabar com análises dobre Filadélfia (1994), por exemplo, que havia recém ganhando um Oscar e que hoje é pouco lembrado, é um claro viés de recência. E claro, como todo produto LGBTQ+ daquela época, além do apagamento de pessoas transgênero, sofre de um profundo foco em representações gays em detrimento de outras identidades. Mas dito isso, ainda assim Celulóide Secreto é um clássico do gênero e um documentário bastante informativo e interessante para quem quer um pontapé inicial para a história das representações queer no cinema. 

The Celloid Closet está disponível em streaming na Mubi.

Crítica de cinema, doutora em Antropologia Social, pesquisadora de corpo, gênero, sexualidade e cinema.

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