• Cinema,  Críticas e indicações,  Filmes

    [49ª Mostra de São Paulo] A Garota Canhota

    Este texto faz parte da cobertura da 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que ocorre entre 16 e 30 de outubro. Shih-Ching Tsou é parceira de longa data de Sean Baker, atuando como produtora e atriz em seus filmes e como dupla na direção de Take Out em 2004. A Garota Canhota (Left-Handed Girl) é sua estreia no comando solo de longas, mas a influência de Baker é gritante em seu trabalho, não apenas porque o recente vencedor de cinco prêmios no Oscar também produz, monta e divide o roteiro com a diretora do filme, mas pela estética geral. A direção de fotografia um tanto rústica, com luzes…

  • Cinema,  Críticas e indicações,  Filmes

    [49ª Mostra de São Paulo] Urchin

    Este texto faz parte da cobertura da 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que ocorre entre 16 e 30 de outubro. Urchin é uma gíria, uma maneira de rotular um jovem muitas vezes pobre e maltrapilho. Quando Mike (Frank Dillane) entra em cena, é exatamente isso que se vê, ou melhor, são suas costas, um corpo largado numa calçada, dormindo sem nada para o cobrir ou amenizar a dureza do chão. Já de cara, o personagem principal mostra o tom humorístico que o filme adotará. Em sua estreia na direção de longas, Harris Dickinson faz um retrato do ciclo de abandono e destruição que as pessoas passam nas…

  • Cinema,  Críticas e indicações,  Filmes

    [49ª Mostra de São Paulo] Bugonia

    Este texto faz parte da cobertura da 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que ocorre entre 16 e 30 de outubro. O cineasta grego Yorgos Lanthimos ficou mais conhecido por suas obras serem desconfortáveis, ou “estranhas” para alguns, e por sua lente olho de peixe sempre distorcendo as cenas. Seus personagens são muitas vezes quase inertes, pessoas que se relacionam com um mundo conturbado ao redor e em algum momento percebem que precisam romper a redoma, enfrentar aquilo que lhes foi imposto. Não é uma regra em 100% de seus filmes, mas o estranhamento certamente é sua linguagem, seja na fotografia, na história que criou ou por como…

  • Cinema,  Críticas e indicações,  Filmes

    Fréwaka (2024)

    Fréwaka vem do título original Fréamhacha, em irlandês, que significa “raízes”. A palavra certamente define a jornada de Shoo (Clare Monnelly), uma cuidadora domiciliar que acaba em uma vila remota em meio a um luto muito mal resolvido pela mãe. A viagem é tanto fuga da protagonista, quanto uma forma de levantar algum dinheiro para sua nova fase de vida. A mulher espera um bebê com sua noiva (Alexandra Bustryzhickaya), ao mesmo tempo em que precisa lidar com todos os objetos deixados pela genitora falecida, para que a casa abra espaço para essa continuidade familiar. O chamado para um novo trabalho vem como alívio, uma maneira de escapar de todos…

  • Cinema,  Críticas e indicações,  Filmes

    O Último Azul (2025)

    Desde que venceu o Urso de Prata em Berlim, O Último Azul se tornou um dos lançamentos brasileiros mais aguardados da temporada. Já passaram mais de 5 anos desde que Gabriel Mascaro chamou atenção com outra distopia, mas, se Divino Amor tinha uma relação muito mais inflamada e pueril com o destino político do Brasil, remover a necessidade de um discurso expositivo com um oponente obrigatório foi o que pavimentou caminhos muito mais interessantes para este novo filme. O cineasta amadureceu seu olhar e sua crítica, além de construir uma obra que transborda sensibilidade ao se concentrar muito mais em sua personagem e, partir dela, relacionar o mundo ao seu…

  • Cinema,  Críticas e indicações,  Filmes

    A Hora do Mal (Weapons, 2025)

    Em 2022, Zach Cregger lançava um filme de terror que já chegou fazendo barulho. Noites Brutais começava com uma trama entre o thriller e a comédia romântica, só para depois mudar radicalmente a perspectiva e o tom. A fórmula de criar rupturas na narrativa, conectando diferentes pontos de vista a um mesmo acontecimento bizarro, é repetida no lançamento mais silencioso do cineasta. A Hora do Mal, que também repete a tradição de uma mudança curiosa na tradução do título minimalista em inglês para um mais explícito em português, chegou aos cinemas neste ano sem muita expectativa do estúdio e foi ganhando o público sem fazer grandes alardes. Se já faz…

  • Cinema,  Críticas e indicações,  Filmes

    Ponto Oculto (Im toten Winkel, 2025)

    Como a câmera conta uma história? Pode parecer uma reflexão bastante óbvia, pensando puramente na funcionalidade técnica do aparelho, de captar e registrar os acontecimentos encenados ou não. No entanto, Ayşe Polat propõe com Ponto Oculto mais uma análise de como o equipamento pode ser usado para manipular a linguagem. A primeira parte do longa, que é dividido em capítulos, serve como uma introdução, visto que os outros dois blocos conversam mais diretamente um com o outro. Neste início, a obra apresenta suas perspectivas e como se diferenciam, sem que ainda compreenda-se bem seus papeis narrativos. Essa relação vai se tornando mais clara conforme a história se desenrola, mas a…

  • Cinema,  Críticas e indicações,  Filmes

    Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado (2025)

    Que Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado nasceu nos anos 90 pegando carona com o sucesso e as ideias de Pânico, todo mundo já sabe. Talvez só não fosse tão fácil prever que a franquia seguiria a mesma onda a vida inteira. Até que demorou, mas três anos depois de reviverem a franquia de Wes Craven, agora sem o ícone e sua genialidade, a prima com menos talento fez o mesmo. O histórico das duas é totalmente diferente, enquanto Eu Sei… teve uma sequência bem esquisita, com uma recepção à altura, e um terceiro capítulo quase bastardo na família, lançado direto em DVD e sem o elenco…

  • Cinema,  Críticas e indicações,  Filmes

    Extermínio: A Evolução

    Em sua introdução, Extermínio: A Evolução retorna às origens do vírus, relembrando o que Danny Boyle e Alex Garland começaram há mais de 20 anos. O caos, iniciado enquanto Cillian Murphy dormia no hospital, agora é retratado pela perspectiva do rompimento da infância. São as crianças assistindo ao tradicional programa infantil britânico dos anos 90, Teletubbies, que tem suas vidas interrompidas pela violência. Os infectados adentram a sala repleta de pequenas pessoas assustadas, enquanto um deles tenta se salvar em meio a uma casa com adultos que não tem nenhuma chance de escapar. É fundamental essa construção, mesmo que o personagem inicial só retorne em cena nos últimos minutos do…

  • Cinema,  Críticas e indicações,  Filmes

    [78º Festival de Cannes] The Black Snake

    Este texto faz parte da cobertura do 78ª Festival de Cinema de Cannes, que ocorre entre 13 e 24 de maio. Parte da Acid, uma mostra paralela do Festival de Cannes em que os filmes são selecionados por cineastas – prometendo assim uma programação mais ousada -, La Couleuvre Noire, ou The Black Snake, é uma produção entre França, Colômbia e Brasil que adentra o deserto colombiano de Tatacoa. Pelo realismo fantástico, Aurélien Vernhes-Lermusiaux conta tanto a história particular de Ciro (Alexis Lozano Tafur) quanto do espaço geográfico que o cerca, explorando o místico que vem da terra e da ancestralidade. O homem retorna para seu local de origem depois…