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Frankenstein

Frankenstein ou o Moderno Prometeu foi escrito por Mary Shelley (1797-1851) em 1816 quando ela tinha apenas 19 anos e publicado com crédito para a autora em 1831. O romance gótico questiona vingança, remorso, aparência física, justiça.

Assim como sua criatura, Victor Frankenstein não é uma personagem plana. Na obra que passa longe do maniqueísmo, os conceitos de bem e mal se misturam. Tanto o criador como o monstro manifestam empatia, e apesar de seus atos hediondos, percebemos suas motivações, daí o fascínio que nos causam. No posfácio da edição de 1985 da LPM, o crítico Harold Bloom comenta a confusão popular de se batizar a criatura com o nome de seu feitor : “O monstro e o criador são as metades antitéticas de um mesmo ser”.

Enquanto Victor, que aterrorizado, fugiu de sua responsabilidade, expressa seus sentimentos, a criatura sem nome, mais humana do que seu criador, expõe seu desenvolvido intelecto na narrativa. Sua repugnância está ligada às marcas da abominação de costurar pedaços de seres humanos diferentes em um mesmo homem, além do gigantismo, que lhe confere proporções exageradas em relação aos humanos. Mas ele só se torna um monstro completo ao cometer crimes contra vítimas inocentes, motivados pela raiva da solidão involuntária à qual Victor o predestinou. Um ser temível, mas ao mesmo tempo digno de amor e piedade

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