• Discos,  Indicações

    Desmanche, de Karina Buhr

    Depois de Eu Menti pra Você (2010), Longe de Onde (2011) e Selvática (2015), a cantora baiana Karina Buhr lança seu quarto álbum, Desmanche (2019), espera que fez valer cada faixa. Talvez o mais pesado, tem tambores que remetem aos primórdios da carreira na Comadre Fulozinha, tem espaço para romance – ainda que desiludido – em “Amora” e mantém o característico sotaque recifense, parte de sua afrontosa resistência. Apesar dos títulos que aparentam ser regravações, as faixas são composições próprias, como “Chão de Estrelas”, “A Casa Caiu” e “Filme de Terror”, bolero irônico em que “vende-se ânimo, valentia, coragem”. Já a vi pasma de admiração em muitos shows, de covers…

  • Discos,  Indicações

    öOoOoOoOoOo – Samen

    Nunca tinha indicado nenhuma banda de metal por aqui até agora. Há muitas vocalistas mulheres maravilhosas no estilo, na maioria das vezes com canto lírico em bandas góticas, em predominante contraste com guturais masculinos: Tristania, After Forever, Lacrimosa e Epica são minhas preferidas… mas piro quando o gutural é feminino! Já tive um breve cover de Arch Enemy inclusive, época em que quase destruí as cordas vocais imitando (errado) a técnica de Angela Gossow. Também devo citar The Agonist e iwrestledabearonce como belos exemplos de gutural feminino, nos dois casos oscilante com uma voz límpida. Mas desde UneXpect – favorita oficial posto que a mais criativa do gênero avant-garde ou…

  • Discos,  Indicações

    Julia Jacklin, “Head Alone”

    Convido vocês a conhecer o trabalho indie folk da cantora e compositora australiana Julia Jacklin a partir do videoclipe de “Head Alone”, faixa do mais recente disco dela, Crushing (2019), sucessor de Don’t let the kids win (2016). No plano sequência de pouco menos de 3 minutos (não parece haver cortes), a moça de vestido florido de época abraça um rapaz intensamente, 360 graus de abraço. Logo, ela se afasta com delicadeza, e não sem antes olhar pra trás uma última vez, sai pela rua, diante de um poético céu violeta, dá murrinhos no ar e corre dançando, cabelos ao vento, enquanto canta versos libertadores como “eu não quero ser…

  • Indicações,  Livros

    Clara Averbuck Toureando o Diabo

    A escritora gaúcha Clara Averbuck dedica seu sétimo livro “pras minas”. Scanners de agendas conferem suspeita verossimilhança ao relato em algumas das páginas em preto e branco, nas quais ela escreve sobre relações quase sempre efêmeras em metalinguagem irônica: “Eu vivo de fazer versões da vida que não são verdade, mas todo mundo acha que é diário, que é confessional. Quero ver chamar literatura de homem de confessional. Jamais aconteceu, né? Só mulheres têm pecado pra confessar”. Parceria com a ilustradora Eva Uviedo, “Toureando o Diabo” foi lançado em 2015 por financiamento coletivo – mas ainda restam exemplares raros na Estante Virtual. Stephania AmaralMestra em cinema de horror, revisora e aspirante à crítica de música no @discosdaste

  • Filmes,  Indicações

    XXY, de Lucía Puenzo

    Já ouviu nosso podcast sobre a diretora argentina Lucía Puenzo? O longa dela XXY (2007) está disponível na Netflix! No drama, a atriz Inés Efron vive Alex, intersexual que aos 15 anos mora com os pais (um deles vivido pelo Ricardo Darín), que lidam com os desafios de sua condição médica e a hostilidade enfrentada durante suas descobertas. O filme é muito pesado e difícil de ser assistido – costumamos preferir películas que retratam a sexualidade e especialmente questões de gênero de forma mais leve. Stephania AmaralMestra em cinema de horror, revisora e aspirante à crítica de música no @discosdaste

  • Blogs,  Stephania Amaral

    Era uma vez em Hollywood

    Tarantino sempre passa do ponto em algum momento. Mas apesar de todas as questões, da falta de falas pra fascinante Sharon Tate, continua valendo a pena. Fui pro cinema apenas com uma sinopse (muito mal escrita) e os teasers engraçadinhos que não pude evitar no insta. Margot estava felizinha demais, todo mundo numa vibe muito […] https://stephaniaamaral.wordpress.com/2019/08/15/era-uma-vez-em-hollywood/...

  • Discos,  Indicações

    Zimbru – “Divination”

    Minha recomendação da vez é uma “descoberta da semana” no Spotify, cujo algorítimo tantas vezes lê minha alma (e recorda da minha obsessão por cantoras). Senti uma conexão imediata pela música “Divination”, da banda romena Zimbru (custei a achar as letras!) Logo descobri o clipe surreal, dirigido pela Irina Alexiu: a protagonista tem um corpo bem realista, digamos, e usa camiseta do Hole! Eu já estava apegada aos “atores”, sentimento tão familiar de amigos imaginários ou guias espirituais que ajudam a atravessar a solitude do dia… quando assisto a “Dog Heaven” (ao vivo) e descubro que os quatro são ninguém menos do que os integrantes do grupo! (Teodora Retegan, Oana Pop, Andrei…

  • Discos,  Indicações

    Ressignificar o climão na pista

    Letícia Novaes lançou uma versão remix do primeiro e icônico álbum de sua alter ego atual. Se Letrux em noite de climão me tirou de uma bad, as faixas revisitadas de Letrux em noite de pistinha consolidam pra mim novas perspectivas. Dado o impacto inicial de “Vai render” versão funk (!), uma narração bônus abre “Ninguém perguntou por você”, letra agora fora de ordem, carnavalizada. “Coisa banho de mar” e “Que estrago” poderiam ter os jogos de palavras e a melodia um pouco subvertidos, ainda assim é impossível estragar as faixas. “Puro disfarce” tem agora contornos mais profundos, lugar onde “a fossa dança e o gozo dói”. “Amoruim”, aquela que me fazia…

  • Indicações,  Livros

    Magra de Ruim, Sirlanney

    Pausa em minhas costumeiras indicações musicais pois preciso falar sobre a Sirlanney (aliás já falei no podcast, mas reforço aqui). O trabalho da ilustradora cearense me impactou muito neste tardio contato com o livro “Magra de Ruim”. Passando por temáticas da solidão ao empoderamento, as aquarelas metalinguísticas e muito livres me deixaram morta de vontade de voltar a desenhar, o que tenho feito. Com um erotismo pungente, Sy não tem vergonha de expor seus dramas e sua força. Stephania AmaralMestra em cinema de horror, revisora e aspirante à crítica de música no @discosdaste

  • Indicações,  Seriados

    Tuca & Bertie

    “Esse é o alarme que soa quando nenhuma mulher fala em voz alta por três minutos” – essa é uma das icônicas falas de uma das protagonistas, ao defender sua melhor amiga silenciada por um colega de trabalho. Dubladas pelas humoristas Tiffany Haddish e Ali Wong, Tuca & Bertie são duas garotas-pássaras de 30 anos vizinhas num apartamento na “Cidave”. O desenho criado por Lisa Hanawalt, também produtora de BoJack Horseman, me ganhou pela leveza na abordagem de temas triviais e algumas vezes pesados, como abuso velado, doenças e problemas em família. A série se tornou minha preferida entre as animações adultas recentes, por ter muita personalidade no traço, extrema criatividade, humor na…