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Mrs. America

Assisti à minissérie Mrs. America, baseada na história da ativista e lobista estadunidense contra a igualdade de gênero e os direitos das mulheres Phyllis Schlafly, interpretada por Cate Blanchett. (Sim, isso existe, mulheres contra os direitos das mulheres). O recorte histórico abarca de 1972 até 1981, período em que se tentava aprovar, nos EUA, uma emenda constitucional de Igualdade de Direitos. Gostei muito da recriação de época e também do foco, que a cada episódio se desloca para uma personagem diferente, passando pela própria Phyllis, mas também pelas feministas Gloria Steinem (Rose Byrne), Shirley Chisholm (Uzo Aduba), Bella Abzug (Margo Martindale), Betty Friedan (Tracey Ullman), Jill Ruckelshaus (Elizabeth Banks), entre outras. Trata-se de um retrato de um momento de intensa luta política, que o desfecho deixa claro que nunca acabou.
Curiosidades:

1) Em certo momento me peguei pensando que era uma bela coincidência que o marido de Phyllis se chame Fred, mesmo nome do marido de Serena Joy, figura feminina conservadora central no livro O Conto da Aia. Aí eu li que a escritora Margaret Atwood se inspirou na própria Phyllis para criar Serena.
2) No 8º episódio vemos de relance um trecho de Jeanne Dielman, clássico feminista dirigido por Chantal Akerman, sendo exibido por um grupo de mulheres. O 9º e derradeiro episódio termina com uma cena que emula diretamente um momento do filme, com Phyllis, centralizada no quadro e de frente, descascando maçãs (como Jeanne faz com batatas), em um plano sem cortes e silencioso.
Está disponível no Star Plus.
⭐⭐⭐⭐⭐

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Crítica de cinema, doutoranda em Antropologia Social, pesquisa corpo, gênero e cinema e é feminista.

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