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    O Diabo Veste Prada 2

    Os tempos eram outros em 2006. Tempos mais simples. Nós todos éramos outras pessoas. Quando O Diabo Veste Prada foi lançado eu tinha míseros 21 anos de idade, peguei o livro na biblioteca, naquela mania eterna de ler-o-livro-ver-o-filme. O filme, afinal, era adaptado do livro de mesmo nome de Lauren Weisberger, baseado nas suas experiências trabalhando no revista Vogue. Eu ainda não era formada e já sabia que não queria ser arquiteta, embora não sabia o que queria fazer. Escrever, com certeza. Mas também era absolutamente louca por moda. Comprava revistas, comprava livros de história da moda, desenhava croquis. Pouco depois comprei minha máquina de costura e entrei num curso…

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    Postais do Abismo

    Publicado originalmente em 26/03 na newsletter para assinantes do financiamento coletivo do Feito por Elas. Para contribuir com o projeto, assine aqui. Quando eu falei sobre Andor, escrevi que não sou exatamente fã da franquia Star Wars. Eu tenho pouca lembrança da trilogia original de quando era criança e minha recordação maior foi de ter assistido a ela quando o SBT comprou o catálogo da Fox no final dos anos 1990 e passou tudo, de forma bastante alardeada, pouco antes da estreia do Episódio 1 no cinema. Por isso, pra mim, Carrie Fischer sempre representou duas coisas: a filha da Debbie Reynolds, claro, mas também uma escritora. Desde que eu me conhecia por gente…

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    Filmes de Eunice Gutman na Mubi

    Publicado originalmente em 26/03 na newsletter para assinantes do financiamento coletivo do Feito por Elas. Para contribuir com o projeto, assine aqui. Chegou na Mubi uma coleção de curtas metragens de Eunice Gutman, que descortinam um panorama da sobre a sociedade brasileira da década de 1980 majoritariamente por meio de retratos feitos de recortes sob a perspectiva de mulheres. Em seu primeiro curta. E o mundo era muito maior que a minha casa, de 1976, fala sobre o programa de alfabetização MOBRAL e as novas possibilidades que o acesso as letras incutiam nas pessoas retratadas.  Só no Carnaval…, de 1982, é um filme intrigante, ao retratar o machismo dos homens cis héteros que se…

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    Rivalidade Ardente (Heated Rivalry, 2025-)

    Publicado originalmente em 26/02 na newsletter para assinantes do financiamento coletivo do Feito por Elas. Para contribuir com o projeto, assine aqui. Confesso que estava com preguiça de ver Rivalidade Ardente (Heated Rivalry, 2025- ), seriado canadense criado, roteirizado e dirigido por Jacob Tierney, baseado na série de livros escritos por Rachel Reid. Eu achava que a trama teria apelo adolescente e talvez superficial e não poderia estar mais enganada sobre minhas percepções. A história acompanha dois jogadores de hóquei: o canadense Shane Hollander (interpretado por Hudson Williams) e o russo Ilya Rozanov (Connor Storrie), ao longo de cerca de 10 anos, desde sua temporada de estreia na Liga Nacional de Hóquei, o torneio entre times dos Estados Unidos e…

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    O Testamento de Ann Lee (The Testament of Ann Lee, 2025)

    Publicado originalmente em 27/11 na newsletter para assinantes do financiamento coletivo do Feito por Elas. Para contribuir com o projeto, assine aqui. Comecei a ver O Testamento de Ann Lee (The Testament of Ann Lee), dirigido por Mona Fastvold, sem saber nada sobre ele. Não tinha visto nada da cineasta, cujo filme anterior, Um Fascinante Novo Mundo (The World to Come, 2020), um faroeste sáfico, está morando na minha watchlist há anos. E nisso descubro que o roteiro é assinado por Brady Corbert, diretor do famigerado O Brutalista (The Butalist (2024), que foi escrito em parceria com… Mona Fastvold. E assim descobri também que são um casal e nesses últimos projetos colaborativos estão investigando as origens e raízes…

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    A Noiva! (The Bride!, 2026)

    Do além, Mary, com sua voz grave de assombração, a cabeça pesada, o olhar furtivo, lista seus nomes: Wollstonecraft por parte de mãe, Godwin por parte de pai e Shelley por parte de seu amante-marido. Uma mulher, como tantas, cujos nomes indicam, mais que pertencimento, propriedade. Um sobrenome é um atestado de posse: ela não é ela, ela é dos seus. Mary Shelley, a fantástica criadora da ficção científica contemporânea, interpretada por Jessie Buckley, é quem narra essa história, diretamente de uma espécie de limbo. A diretora e roteirista Maggie Gyllenhaal veio de sua estreia com uma adaptação impecável do A Filha Perdida de Elena Ferrante e agora retorna com…

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    Vladimir (2026)

    Publicado originalmente em 26/02 na newsletter para assinantes do financiamento coletivo do Feito por Elas. Para contribuir com o projeto, assine aqui. Esses dias eu mandei lá no grupo de telegram do FpE um trailer de uma minissérie nova da Netflix chamada Vladimir. Ela é criada e roteirizada por Julia May Jonas, autora do livro de mesmo nome e dirigida por Shari Springer Berman & Robert Pulcini, Francesca Gregorini e Josephine Bornebusch. A premissa é que uma professora universitária de literatura, interpretada por Rachel Weiszs, em um casamento de longa data com outro professor do mesmo departamento, John (John Slatery). Acontece que seu digníssimo marido vem sendo acusado de assédio sexual por algumas…

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    O Morro dos Ventos Uivantes (“Wuthering Heights”, 2026)

    Enquanto os créditos de abertura sobem, é possível ouvir madeira rangendo e uma pessoa gemendo. A mistura de sons evoca uma imagem sexual. Quando o quadro se abre revela um homem pendurado, sendo estrangulado em uma forca, arfando em busca de ar enquanto seu corpo se debate em seus últimos espasmos, ao mesmo tempo em que ostenta uma grotesca ereção. Uma multidão de pessoas ao seu redor grita e vibra, incluindo as pequenas Cathy Earnshaw (Charlotte Mellington) e Nelly (Vy Nguyen), sua dama de companhia. Nesse mundo bárbaro, de vigiar e punir, nem mesmo as crianças passam incólumes da violência (que se mistura ao sexo). A diretora e roteirista Emerald…

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    Infâncias ficcionais entre pessoas que se vão

    Publicado originalmente em 29/01 na newsletter para assinantes do financiamento coletivo do Feito por Elas. Para contribuir com o projeto, assine aqui. O primeiro livro do Grupo de Leitura Feito por Elas esse ano foi Se Deus Me Chamar Não Vou, de Mariana Salomão Carrara. Trata-se de uma história sensível, narrada em formato de diário por uma menina de 11 anos chamada Carmem. Como toda menina dessa idade, ela tem seus conflitos com os pais, seus dramas escolares, seus primeiros amores. E a linguagem é muito efetiva em evocar ao mesmo tempo uma inocência típica da idade, mas transmitir uma poética que eleva a leitura e a conduz de forma…

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    Hamnet – A Vida Antes de Hamlet (Hamnet, 2025)

    Em um ano com tantos filmes relacionados a parentalidades, não consigo deixar de relacionar Morra, Amor (Die, My Love), de Lynne Ramsay e Hamnet, de Chloé Zhao. O primeiro trata de uma mulher, Grace (Jennifer Lawrence), escritora, que se casa, engravida, e vai morar em uma casa distante com o marido, onde começa a apresentar o que é entendido pelos demais como um comportamento errático. O segundo é a história ficcionalizada da pessoa real que foi Agnes, esposa de William Shakespeare, envolvendo a morte do filho de ambos, Hamnet, que teria inspirado a escrita da peça Hamlet. Ambas são narrativas que envolvem questões complexas sobre maternidade e domesticidade. Na época…