Críticas e indicações

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    Sobre assistir a filmes dirigidos por mulheres

    Essa semana eu comentei aqui sobre o fato de ter terminado meu terceiro ano de desafio #52FilmsByWomen (52 Filmes por Mulheres). Nesses três anos me propus a assistir a mais filmes de autoria feminina, porque senti que não estava dando a atenção que eles mereciam na minha cinefilia. Mas isso não é algo que acontece exclusivamente comigo: o fato é que o cânone de filmes e cineastas consagrados é majoritariamente masculino. Isso cria distorções como, por exemplo, o fato de que em todas as edições do livro 1001 Filmes Para Ver Antes de Morrer, num total de 1210 filmes, apenas 53 sejam dirigidos ou co-dirigidos por mulheres (você pode ver…

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    #52FilmsByWomen ano 3: a conclusão

    Chego ao fim do meu terceiro ano de desafio #52FilmsByWomen (ou 52 Filmes por Mulheres). Comecei em 1º de outubro de 2015 e quanta coisa mudou de lá pra cá. Na minha vida pessoal, comecei um doutorado, com pesquisa em gênero (como no mestrado) e mudei de estado, dando continuidade ao meu nomadismo. Três anos atrás eu sentia que precisava conhecer mais obras cinematográficas com autoria feminina. O desafio, que consiste em assistir a um filme dirigido por uma mulher por semana durante um ano, totalizando 52, caiu como uma luva. Depois disso, em 2016, criei o Feito por Elas e a demanda por filmes dirigidos por mulheres se tornou ainda…

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    Luiza Lian

    Como vocês já devem ter reparado aqui, ADORO descobrir cantoras, tanto novas quanto antigas (valeu por ter postado essa deusa no seus stories, @lucifernandinha). Pena que demorei tanto pra conhecer o trabalho da Luiza Lian e estou absolutamente encantada! Eu sei que costumo ser muito efusiva com minhas ídalas mas é sério, tirem um tempinho para escutá-la! A moça acaba de lançar seu terceiro álbum, Azul Moderno, que já começa com pérolas como Vem Dizer Tchau e Mil Mulheres (essa toca muito fundo, coisa linda, linda!) O disco anterior, Oyá Tempo, delineia a presença da espiritualidade na música da paulista que “queria ser baiana“. Há uma versão videoclíptica dele no YT! Mas o meu preferido é o primeiro, o homônimo Luiza Lian (☆☆☆☆☆ no @discosdaste), mais pesado e…

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    Sinto Muito- Duda Beat

    Tenho uma relação especial com a música e o estilo brega. Demorei pra entender isso – creio inclusive que o filme Amor, Plástico e Barulho da diretora Renata Pinheiro ajudou muito – mas agora  aceito, meu coração é tão kitsch que deve ter o formato de um abacaxi! 😀 Neste ano de Xangô, que tá pesado e intenso pra geral, acredito, além do meu amado Johnny Hooker, Duda Beat tem suprido essa necessidade de cantar e dançar pra expurgar todas as sofrências. Com seu delicioso sotaque, a pernambucana chegou para lacrar no primeiro disco, Sinto Muito (clique no título em destaque para ouvir no Spotify). Como pra mim importa mais a emoção do que a razão, vou deixar aqui um…

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    Carol

    Quando fizemos nosso programa sobre a Kelly Reichardt mencionamos como ela foi apoiada por Todd Haynes, um dos expoentes e considerado um dos criadores do New Queer Cinema, um movimento que aborda sexualidade em seus filmes e que começou no início dos anos 90. Haynes tem muitos filmes maravilhosos, mas é possível que Carol, que entrou para o catálogo da Netflix, seja o que tenha a estética mais apurada. Baseado no romance de Patricia Highsmith e roteirizado por Phyllis Nagy, é basicamente um conto de Natal, em que a personagem-título (vivida por Cate Blanchett) é uma dona de casa com boa situação financeira que está se divorciando do marido e Therese (interpretada por Rooney Mara), por quem ela se…

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    Entremarés

    Crítica escrita para a parceria entre Elviras- Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema e o Tudo Sobre Mulheres- VI Festival de Cinema Feminino de Chapada dos Guimarães. Com muita calma, uma senhora segura uma rede de pesca entre suas mãos e remenda os pontos danificados. A pesca como uma rede de conexões entre as pessoas, especialmente as mulheres. Os nós que interligam todos. As laçadas que estruturam a comunidade. O conjunto que cria o tecido da sociabilidade local. Assim começa Entremarés, documentário dirigido por Anna Andrade que apresenta as mulheres da Ilha de Deus, em Recife, local de preservação do manguezal em perímetro urbano. A imagem aérea descortina uma ilha…

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    Marvin (2017)

    Quando o acrobata começa a pensar, ele cai Dirigido por Anne Fontaine (de Coco Antes de Chanel), Marvin é um um filme de coming of age, de descobrir-se a si mesmo, um Lady Bird queer de interior. O protagonista é Marvin Bijou (Jules Porier), um menino de olhar doce que mora em um vilarejo no interior da França. Sua mãe, Odile (Catherine Salée), o trata com afeto e o defende, mas ao mesmo tempo a dura rotina não permite que preste muita atenção no garoto. Seu pai, Dany (Grégory Gadebois), tem sua própria ética, mas é um homem tosco, rude e mergulhado em preconceitos. O irmão mais velho, Roland (Charles Berling) é violento…

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    Soltar os Cavalos- Julia Branco

    Eu estava frenética na pista no show da Letrux quando uma moça de cabelos muito pretos vestida de prateado me pediu licença em meu transe pra subir ao palco. Era Julia Branco, que ouvi pela primeira vez a cantar ‘Que estrago’ com a deusa vermelha. Demorou até que eu parasse pra ouvir e permitisse que o álbum “Soltar os cavalos” dominasse meus dias. Daqueles que chegam bem na hora certa. Uma carta aos meus 30 anos, um manifesto de quem não quer mais passar a vida calada, um grito por liberdade que começa com o mantra: “Sou forte, sou grande, sou do tamanho do medo” e me convida pra atravessar…

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    Para Todos os Garotos que Já Amei

    Agosto de 1999: férias escolares. Com catorze anos, eu e mais duas amigas não pensamos duas vezes e escolhemos 10 Coisas Que Odeio em Você como o filme da nossa sessão de cinema da vez. É uma pena que eu tenha jogado fora os diários daquela época, porque eu sempre anotava o que tinha achado do filme e adoraria reler hoje em dia. Na época Heath Ledger e Julia Stiles (os protagonistas) tinham 20  e 18 anos, respectivamente, ainda que seus personagens fossem adolescentes do ensino médio. Resquícios dos anos 90 que findava. O que importa é que, independente disso, aquele filme era mágico! Achei ele divertido, romântico, com uma trilha sonora…