Entrevistas

Entrevista | Olivia Wilde, diretora de O Convite

O Convite é o terceiro projeto dirigido por Olivia Wilde. Filha de jornalistas, ela começou a carreira como atriz muito jovem, se estabelecendo em seriados como The O.C. e House. A primeira chance na direção veio com a divertida comédia adolescente Fora de Série (Booksmart, 2019), em que duas alunas exemplares de ensino médio percebem que não aproveitaram nada do período e resolvem fazer isso na véspera da formatura. Depois foi a vez de Não se Preocupe, Querida, uma ficção científica em que uma dona de casa descobre que sua vida tranquila de subúrbio esconde segredos perturbadores.

E agora retorna com uma com O Convite, uma comédia em que um casal, Angela (interpretada por ela mesma) e Joe (Seth Rogen), acabou de passar por uma reforma em seu apartamento e convida os vizinhos de cima, Piña (Penelope Cruz) e Hawk (Edward Norton) para jantar, para pedir desculpas pelo inconveniente. Mas o jantar também aflora questões como o fato de Joe achar que o outro casal faz barulho excessivo durante o sexo, o suficiente para eles ouvirem no andar de baixo e constrangê-lo. Já Angela quer impressioná-los com a casa e a comida.

Como havia mencionado em minha crítica, um dos aspectos que me chamou atenção foi a forma como Angela se mistura ao apartamento pelo uso de cores e como os espaços se organizam. No dia 7 de julho de 2026 pude participar de uma entrevista coletiva com Olivia Wilde e não deixei de perguntar a esse respeito. O resultado da conversa você confere abaixo:

Isabel Wittmann: Olá, Olivia! Antes de mais nada, adorei o seu filme e gostaria de perguntar sobre o papel do apartamento na obra. Adoro a especificidade que ele assume: o figurino da sua personagem se funde com as paredes e os casais se separam em cômodos diferentes, criando uma sensação de labirinto. A maneira como eles circulam pelo espaço também impulsiona a narrativa. Como você e sua equipe projetaram esse espaço e planejaram a movimentação dentro dele?

Olivia Wilde: Você acertou em cheio: essa sensação de labirinto, de proximidade e intimidade, mas com privacidade suficiente para permitir momentos secretos. Tudo começou com o desafio de fazer um filme ambientado em um único local.

Há vários filmes que servem de inspiração; Amor [de Haneke] é um ótimo exemplo recente de algo construído em um único cenário que, ainda assim, parece real graças ao desenho de som e à iluminação. Claro, há também Quem Tem Medo de Virginia Woolf? e 12 Homens e uma Sentença.

Tive muita sorte de contar com a minha diretora de arte, Jade Healy, e nosso diretor de fotografia, Adam Newport-Berra, como uma espécie de grupo de consultoria estratégica durante o desenvolvimento do plano. Quando lemos o roteiro, o apartamento era descrito inicialmente como um espaço de conceito aberto, um único ambiente com cozinha integrada, mas senti que precisávamos de lugares para se esconder, espaços com um pouco de privacidade. Naquele momento, o roteiro não previa que os casais se dividissem em dois grupos; isso foi algo que o elenco e eu acrescentamos, pois adoramos a ideia de cada casal assumir uma versão diferente de si mesmo quando separado do outro.

Era divertido demais para não tentar; por isso, aquelas duas cenas, o que chamávamos de “tour pela casa”, em que circulamos por diferentes cômodos do apartamento, foram em grande parte improvisadas e nos permitiram explorar o cenário de uma maneira totalmente diferente. O mais maravilhoso é que, geralmente, quando se constrói um cenário, ele aparece na tela por apenas cinco ou dez minutos, e não se consegue aproveitar todo o planejamento dedicado a ele. Mas nós usamos cada centímetro quadrado daquele cenário. O conhecíamos tão bem, graças à fase de preparação, que sabíamos exatamente como filmá-lo, dependendo de onde os atores se posicionavam organicamente durante os ensaios.

Eu olhava para o Adam e nós sabíamos: se eles parassem naquela linha, aquela era a nossa tomada. Exploramos enquadramentos dentro de enquadramentos, espelhos, vidros e barreiras que representavam limites emocionais. Foi muito divertido criar tudo isso, e acho que não teríamos conseguido se tivéssemos filmado em uma locação real; precisávamos projetar o espaço de forma muito específica, sem deixá-lo com um ar excessivamente planejado ou artificial. Queríamos que ainda parecesse um apartamento que você realmente encontraria em São Francisco, naquela faixa de preço e para aquele tipo de pessoa; o personagem do Joe cresceu ali, mas não tem condições de decorá-lo como “deveria” ser, então é uma mistura de peças vintage com materiais mais baratos e feitos à mão.

Dedicamos muita atenção àquele espaço porque, como você disse, o ambiente é um personagem. Tenho muita sorte de ter trabalhado com a Jade nisso, e com a Arianne Phillips, nossa figurinista, que teve a ideia de fazer a camisa da Angela combinar com a cor das paredes, o que deu um trabalho enorme, pois ela precisava tingir o tecido novamente toda vez que mudávamos a cor da parede. Na verdade, toda aquela cena sobre as cores da tinta surgiu de uma conversa real com minha diretora de arte: ela vivia me perguntando qual das três cores eu queria para as paredes. Para mim, todas pareciam iguais.

E ela acabou perguntando se eu era daltônica. Eu disse: “Obrigado, vamos colocar isso no filme”. Eu poderia falar horas sobre aquele apartamento. Ele é, sem dúvida, um personagem do filme, e um que eu adoro. Tenho muito orgulho dessa parte do projeto.

Pergunta: A respeito da adaptação, você disse que se apaixonou pelo roteiro do Will e da Rashida, mas fiquei curiosa: você teve vontade de ver o filme original ou já conhecia o trabalho do Cesc Gay?

Olivia: Sim. A primeira coisa que fiz foi assistir ao filme original antes de ler o roteiro, porque queria entender a origem dessa adaptação. Também me disseram que a obra havia sido adaptada para vários outros idiomas, e foi isso que chamou minha atenção inicialmente; pensei: que história é essa que é tão relevante em tantas culturas diferentes? Deve haver uma essência muito autêntica nela. Então, assisti ao filme original em espanhol, que, claro, era baseado na peça; adoraria ter visto a peça também. E eu amei. Eu rolava de rir, pensando: é uma premissa tão simples, mas tão fértil para adaptações. Entendo perfeitamente por que as pessoas estão adaptando isso para seus próprios idiomas, e eu estava ansiosa para ler a adaptação em inglês. Li o roteiro da Rashida e do Will e, a partir daí, soube que tínhamos algo realmente empolgante em mãos, pois era, novamente, um material fértil para uma nova adaptação, baseada em um processo de desenvolvimento colaborativo, que eu tinha muito interesse em implementar neste projeto. Finalmente, tínhamos algo simples o suficiente para criar a estrutura para o tipo de processo de produção com o qual eu sonhava, buscando algo na linha de Sidney Lumet e 12 Homens e uma Sentença, ou de Mike Nichols. Será que podemos ensaiar, desenvolver o material em conjunto e filmar em ordem cronológica, usando película, transformando tudo em algo vivo e pulsante que muda conforme atuamos, permitindo muita improvisação? Por isso, o roteiro mudou muito desde o momento em que o li até as filmagens, e mudou novamente quando terminamos de filmar, graças a esses atores extraordinários e a toda a especificidade que eles trouxeram para a obra.

Pergunta: O Convite começa com a frase de Oscar Wilde: “Deve-se estar sempre apaixonado. Essa é a razão pela qual nunca se deve casar”. Você disse que fazer o filme acabou tornando-a mais romântica. O que houve durante a produção de O Convite que mudou sua perspectiva sobre o amor e relacionamentos de longo prazo?

Olivia: Sim, com certeza. Ao desenvolvermos esse grupo e contarmos com a consultoria da [psicoterapeuta] Esther Perel, tentávamos abraçar a ideia de que um relacionamento pode conter vários relacionamentos; de que talvez todo relacionamento esteja destinado a terminar em algum momento, mas que você pode iniciar um novo relacionamento com a mesma pessoa.

Esse conceito de reinvenção me marcou muito anos atrás, quando ouvi Esther Perel mencioná-lo em um TED Talk; aquilo mudou minha visão de mundo. Eu estava determinada a incluir isso em O Convite, e acho que mergulhar nesse conceito durante a produção do filme me deixou muito menos cínica em relação a relacionamentos de longo prazo e ao casamento, pois adoro a ideia da liberdade de se reinventar e evoluir, tanto individualmente quanto como casal. Incluí a citação de Oscar Wilde durante a edição, esperando que ela contextualizasse o filme da mesma forma que muitos dos meus cineastas e escritores favoritos fazem.

Mas o que espero é que, ao final do filme, as pessoas pensem nessa frase de uma maneira um pouco diferente: deve-se estar sempre apaixonado, essa é a razão pela qual nunca se deve casar, mas talvez, se você conseguir manter esse engajamento no processo de amar (o que implica reinvenção), então o casamento em si se torna algo menos desprovido de romantismo. Essa foi a minha jornada com o filme. Mas, honestamente, o que realmente me deixou menos cínica foi assistir ao filme com o público, pois fiquei muito comovida com a emoção demonstrada pelas pessoas. Ouvi muitas pessoas dizerem que, se não viram o filme com o parceiro, querem voltar e assisti-lo com ele. Este filme poderia, e esse é um objetivo ambicioso, acabar tornando as pessoas menos cínicas em relação aos relacionamentos e talvez até reparar algumas relações que estão por um fio. Vamos ver. Mas adoro o fato de as pessoas quererem compartilhar o filme com seus parceiros, e toda essa experiência me deixou menos cínico.

Pergunta: Um dos aspectos mais belos deste filme é a sua linguagem. Existe uma linha tênue entre o teatro e esse tipo de filme. Como você encontrou essa linguagem — esse limite entre teatro e cinema, ao trabalhar com os atores, a marcação de cena e a movimentação da câmera? Como você decidiu onde traçar essa linha, aquilo que diferencia uma peça de um filme ambientado em um único local?

Olivia: Acho que, sempre que se baseia um filme em uma peça, é preciso se perguntar por que ela deve ser adaptada para o cinema. Cesc Gay adaptou sua própria peça para o filme, e ainda é possível sentir a estrutura básica, o DNA da peça nele. Então, quando o projeto se tornou a nossa adaptação, perguntamos: por que isso deve ser um filme? É preciso ter um bom motivo, pois isso obriga você a tirar proveito da linguagem do meio para o qual está adaptando a obra, seja um poema, um programa de TV, uma pintura ou qualquer outra coisa.

Acredito que a melhor razão para transformar algo em filme é a conexão visceral e emocional com as personagens, algo que só a câmera, aliada à música e a todos os outros elementos, consegue proporcionar. Assim, no que diz respeito a captar o comportamento em um material que, em sua essência, foi claramente escrito como peça, tratava-se de permitir que a linguagem da câmera evoluísse junto com a experiência emocional do público em relação às personagens. Isso foi inspirado no trabalho de Mike Nichols em Quem Tem Medo de Virginia Woolf?. É possível sentir a fotografia se ajustando à medida que os personagens ficam mais embriagados e emotivos; a própria câmera parece ficar embriagada, e a proximidade aumenta. Em termos de linguagem visual, o objetivo era permitir uma imediatez emocional e proximidade com as personagens, captando comportamentos que jamais poderiam ter sido escritos no roteiro, reagindo ao que os atores nos ofereciam e garantindo que isso fosse captado e acompanhado.

Um exemplo disso é quando Piña e Hawk entram no apartamento pela primeira vez: todos os outros são filmados em um plano estático e fixo, enquanto Piña, a personagem de Penélope, é filmada com Steadicam, pois ela se move de forma diferente pelo espaço e transmite uma sensação emocional distinta; logo, a linguagem visual aplicada a ela também é diferente. Conforme o filme avança, aproximamo-nos de todas as personagens através do uso das lentes. Tratava-se de incorporar improviso suficiente para que tudo soasse totalmente orgânico, sem perder o fio condutor do roteiro e sem que a cena se tornasse algo meramente incidental. Tudo foi cuidadosamente intencional; eu buscava uma espécie de naturalismo à la Robert Altman nos diálogos, permitindo que as falas se sobrepusessem e que houvesse improviso e ritmo, quase como um quarteto de jazz em harmonia, de modo que o resultado nunca parecesse excessivamente ensaiado, mas também nunca divagante ou sem rumo.

Pergunta: Vocês quatro formam um quarteto fantástico, mas tenho uma pergunta específica sobre o Seth, porque também adoro O Estúdio o episódio em que você participou. Fiquei curiosa sobre a cronologia: quando você filmou O Estúdio, já sabia que ele estaria em O Convite, ou como isso aconteceu?

Olivia: Não, na verdade, foi durante as filmagens do meu episódio de O Estúdio que percebi que o Seth tinha que interpretar o Joe. Foi aquele momento de “estalo”, e de repente o filme ficou claro para mim. O personagem Joe precisava da grande complexidade que o Seth tem como ator; era preciso amá-lo e, ao mesmo tempo, reconhecer sua fragilidade, sentir empatia por ele e também frustração, além de conseguir relaxar na companhia dele. Ele tem essa capacidade extraordinária de se conectar com o público, de transitar entre diferentes momentos; ele sabe quando é hora de rir e quando não é, e acho isso extraordinário. Naquele momento, eu nem deveria atuar em O Convite; eu só sabia que precisava escalar o Seth. E outra coisa que senti ao abordar o projeto foi que nossa adaptação seria um pouco diferente: o roteiro da Rashida e do Will começava com a Angela; a história era realmente dela. Eu entendia isso, mas sentia que queria começar pelo Joe. O entorpecimento dele, a crise de meia-idade, parecia ser o ponto de partida ideal para o filme, e eu estava muito interessada em explorar a psique dele. Assim que percebi que tinha que ser o Seth, tudo o mais ficou claro. O trabalho que ele fez neste filme me deixa muito feliz. Acho, como a orgulhosa “mãe” do filme, que é o melhor trabalho dele. Ele está vivendo uma fase extraordinária que costumo chamar de sua “era Albert Brooks”, e não há nada melhor do que isso. Então, tinha que ser o Joe e tinha que ser o Seth; depois, tive que convencê-lo a aceitar o papel, o que foi complicado, porque ele é a pessoa mais ocupada de Hollywood.

Pergunta: Também queria perguntar sobre trabalhar com a Penélope, porque ela está incrível neste filme.

Olivia: Ela está mesmo. Sempre achei a Penélope uma comediante extraordinária, além de uma atriz dramática; ela consegue transmitir muita força, complexidade e sabedoria, mas também é muito engraçada. Acho que, em filmes americanos, ela é frequentemente escalada como um objeto de adoração incrível, mas é nos filmes espanhóis que ela realmente consegue mostrar seu talento para a comédia, como em todos os filmes de Almodóvar e no maravilhoso Concorrência Oficial (2021), de alguns anos atrás, no qual ela interpreta uma diretora de cinema; achei a atuação dela perfeita. Ela é tão engraçada porque se interessa muito pelos elementos inesperados de uma personagem. Muita gente teria abordado a personagem que se tornou Piña, que, claro, nem sequer tinha esse nome quando começamos; o nome surgiu durante o processo de desenvolvimento, como uma sedutora impecável e que sabe de tudo.

A Penélope se sentiu imediatamente atraída pelos aspectos que a tornavam menos “perfeita”: sua intensidade, seu jeito às vezes desajeitado, sua faceta brincalhona e sua raiva no final do filme, quando ela finalmente explode com Hawk. Ela foi acrescentando camadas à Piña, como numa lasanha, baseando-se em parte em Esther Perel, mas trazendo traços específicos de pessoas de sua própria vida. A maioria das pessoas não percebe que a Penélope não tem nada a ver com aquela personagem, e é exatamente por isso que a atuação é tão extraordinária: ela se distancia totalmente de quem ela realmente é. Lembro-me do dia em que ela me disse que queria uma aparência diferente; queria usar uma peruca e ficar bem loira. Eu disse: “Penélope, você já é tão marcante, não precisa de peruca; pode usar seu próprio cabelo”. Ela respondeu: “Eu preciso, porque preciso me distanciar fisicamente de mim mesma para conseguir mudar minha personalidade”. No instante em que ela colocou a peruca, houve uma transformação completa; ela virou outra pessoa, e fiquei impressionada com isso. Tenho muito respeito por atores que sabem exatamente do que precisam para alcançar um resultado; isso só vem com anos de experiência. Foi um prazer deixá-la improvisar.

Ela comentou que isso não tinha acontecido muito em sua carreira até então. Ela protagonizou tantos momentos incríveis, Obviamente todo o espanhol que se ouve no filme, mas também a cena de sedução com o Seth no escritório e a ideia de interpretar a Sade e dançar, algo que partiu inteiramente dela e não constava no roteiro. A cena anterior, em que eles fumam um baseado e conversam, é toda fruto do improviso da Penélope. A briga no final, o “cala a porra da boca” e tudo o que se segue, veio toda dela, assim como o monólogo sobre a perimenopausa, que se baseia em seu próprio conhecimento e paixão pelo assunto. Uma característica marcante deste filme como um todo é a quantidade extraordinária e incomum de autoria que cada ator imprimiu ao seu personagem; não consigo enfatizar o suficiente o quanto eles contribuíram. É um esforço coletivo diferente de tudo o que já vivenciei. O DNA da Penélope está presente em todo o filme, e não consigo imaginar outra pessoa naquele papel. Sou fã dela ainda mais do que já era antes.

Pergunta: Ao analisar Fora de Série, Não Se Preocupe, Querida e agora O Convite, vemos filmes muito diferentes entre si, mas todos acompanham personagens que começam a questionar a vida que aceitaram como normal. Você percebeu isso apenas em retrospecto, ou essa se tornou a questão que mais lhe interessa explorar como cineasta?

Olívia: Que observação interessante! Concordo com essa especificidade, embora seja algo que só reconheci de fato depois de decidir fazer o filme e já estar em processo de produção.

O foco nos relacionamentos como o cerne de cada filme é intencional, pois sei que é isso que mais me interessa; acho que é parte do motivo pelo qual me inspiro tanto em Mike Nichols. Um de seus grandes talentos era investigar como os seres humanos se relacionam e a textura de todo tipo de relacionamento. Parte de ser atriz envolve pensar em como sua personagem se relaciona com as outras, e imagino que isso explique, em parte, por que, ao finalmente realizar o sonho de trabalhar com direção, eu quis criar filmes que permitissem aos atores mergulhar de verdade nos relacionamentos e em todas as suas complexidades específicas, deixando que eles próprios mostrassem as definições e idiossincrasias de uma relação. Penso em Wong Kar-wai falando sobre Amor à Flor da Pele e em como você não sabe realmente qual é o seu filme até que os atores lhe mostrem; são eles que entregam seus corações às personagens, e só então você consegue compreender o relacionamento que está tentando retratar. Isso certamente se aplica a todos os meus filmes e, olhando para o futuro, já percebo que esse é o fio condutor.

É curioso notar, ao pensar nos próximos passos, que tudo gira em torno de pessoas chegando a um momento em que se perguntam se a vida que levam é aquela que desejam continuar vivendo. Então, talvez essa acabe sendo a minha especialidade.

Isabel: É incrível. Parabéns pelo filme!

Olivia: Obrigada [falou em português!].


O Convite estreou no Brasil 9 de julho de 2026.


Agradeço à A24 pela oportunidade de entrevista, realizada em ambiente virtual e editada visando melhor clareza.

Crítica de cinema, doutora em Antropologia Social, pesquisadora de corpo, gênero, sexualidade e cinema.

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