Entrevistas

[Festival de Londres 2026] Entrevista | Travis Knight e Peyton Elizabeth Lee, do filme O Bosque Selvagem

Nessa semana estreia no Brasil o filme O Bosque Selvagem (Wildwood), que ficou em produção por dezesseis anos, acionando um exército de artistas para a realização de todos os detalhes possibilitados pela arte da animação em quadro a quadro (leia a crítica aqui). Em sua passagem pelo Festival de Londres, além de conferir a estreia mundial do filme, Isabel pode entrevistar o diretor Travis Knight e Peyton Elizabeth Lee, que dá voz a protagonista Prue. As entrevistas aconteceram na manhã do dia 13 de outubro e você confere ambas abaixo.

Isabel Wittmann: Oi, Peyton!

Peyton Elizabeth Lee: Oi!

Isabel: Eu sou Isabel.

Peyton: Prazer em conhecê-la!

Isabel: Pra você, qual é a principal diferença entre a atuação por voz e a atuação em live-action?

Peyton: Sim, acho que a maior diferença é que, sabe, quando você está em um set de filmagem, você está cercada por muitas pessoas e colaborando com uma equipe e um elenco, e você tem muitas coisas diferentes para servir de base à criação da sua performance. Sabe, você está em um set de filmagem, você está no camarim, trabalhando com outros atores, você tem seu corpo e seu rosto, tudo o que você precisa para, de certa forma, ajudar a construir a história que está contando. E em animação você está simplesmente sozinha em uma cabine de gravação, gravando falas. E assim, toda a energia criativa que você precisa criar em um set, também tem que conseguir criar na cabine usando a sua voz. E, então, foi um desafio realmente único para mim, descobrir exatamente como fazer isso e encontrar a energia e as nuances dessa personagem na minha voz, e esse foi um processo em que contei muito com o Travis, nosso diretor, para me ajudar a entender isso e descobrir exatamente qual era o tom de voz da Prue, e como poderíamos realmente criar uma personagem tridimensional apenas por meio da minha voz.

Isabel: E há quanto tempo você começou a gravar?

Peyton: Há cinco anos, eu comecei. O que é engraçado, porque parece que faz muito tempo, e, para mim, pareceu mesmo que passou muito tempo. Mas eles vêm trabalhando neste filme há 16 anos. Então tem 11 anos de trabalho antes mesmo de eu fazer parte dele. Então, poder, tipo, fazer parte de algo em que as pessoas estiveram tão envolvidas por tanto tempo e então, tipo, poder contribuir com a minha própria perspectiva criativa para ele foi muito especial.

Isabel: Você tem uma cena favorita ou alguma cena específica da qual se orgulha mais?

Peyton: Sim. Quer dizer, para mim, uma das minhas cenas favoritas é depois do grande clímax do filme, tem uma conversa mais emocional e íntima entre Prue e Curtis, na qual eles, de certa forma, se reaproximam. E eles meio que tiveram suas próprias jornadas paralelas mas individuais ao longo do filme. E eu realmente amo essa cena, porque eles cresceram muito como pessoas por meio das experiências que vivenciaram na história. E então, de certa forma, eles se reencontram, quase como se fosse a primeira vez e tem esse nível de respeito um pelo outro. Isso não existia antes, especialmente para Prue. Sabe, ela meio que menosprezava o Curtis e então passa a enxergá-lo como ele realmente é. E eu acho que esse é um momento realmente tranquilo, agradável e especial que meio que pontua essa grande, bonita e especial que meio que pontua essa grande, bonita

Isabel: E, por falar em Curtis, você gravou suas cenas junto com o Jacob?

Peyton: Não, não gravamos. Eu gravei tudo sozinha. Acho que todo mundo fez o mesmo. Na verdade, eu e o Jacob só nos conhecemos pela primeira vez há alguns meses, quando começamos a divulgação do filme. Então foi bem louco ver o quão bem eles conseguem criar esse repertório e essa dinâmica entre os personagens, que parece tão algo que parece tão vívido e autêntico apesar de ter sido completamente separado.

Isabel: Incrível! Muito obrigada!

Peyton: Muito Obrigada!

Isabel: Prazer em conhecê-la!

Peyton: Prazer em conhecê-la!

Isabel Wittmann: Prazer em conhecê-lo!

Travis Knight: Igualmente

Isabel: Ótimo filme!

Travis: Obrigado!

Isabel: Fazer um filme por tantos anos e ter outros projetos ao longo do caminho; como isso foi possível e quais foram os seus maiores desafios?

Travis: Eita. Por onde eu começo? Este filme foi a coisa mais desafiadora que já fiz. É a coisa em que trabalhei por mais tempo. Ele faz parte da minha vida por mais da metade da minha vida adulta. E, refletindo sobre isso, é realmente… é a coisa que mais significa para mim. E nós trabalhamos em outras coisas enquanto estávamos trabalhando em Wildwood. Mas precisávamos fazer isso porque precisávamos desenvolver as ferramentas, as técnicas, as tecnologias e o nosso próprio conhecimento técnico, nossa própria maestria, a fim de fazer jus a uma história como esta. Mas, no fim, todas essas experiências acabam se refletindo no filme, e sinto um orgulho extraordinário do que todos fizeram no filme.

Isabel: O filme é incrível, visuais incríveis. A primeira sequência com o garoto autômato realmente me pegou. Era sombria, mas muito bonita. Como você escolheu qual era o tom adequado para a narrativa?

Travis: Sabe, quando você está contando uma história com grandes ideias e grandes emoções no centro de tudo, o que é o caso deste filme: ele trata de perda, trata de luto, trata de amor, você quer garantir que está refletindo sobre essas coisas e estão sendo sinceros. Você quer falar sobre essas coisas, então não é… não se trata de aparar as arestas, você sabe, é nas arestas que muitas vezes sentimos as coisas e então, como estamos contando a história sob o prisma da fantasia em animação, está um passo distante das nossas vidas normais, o que nos permite dar forma a algumas dessas emoções complexas, mas nós sempre queremos, sabe? Embora, na verdade, a gente nunca queira traumatizar o público, certamente queremos ser honestos com o público e tratá-lo com respeito e isso significa que às vezes você não pode se conter, não pode recuar em termos de como a história que você está contando com essas coisas. Essas são as experiências pelas quais passei, pelas quais passei, são vivências de muitas pessoas que trabalharam no filme passaram e queríamos ser honestos sobre isso e acho que quando as pessoas virem, ela verão que, em alguns aspectos, algumas dessas experiências se refletiram porque estamos sendo autênticos sobre como é passar por essas situações.

Isabel: Claro. Falando a respeito de projetos futuros, eu amo o livro Piranesi!

Travis: Eu também!

Isabel: Ah é uma história maravilhosa! E você pode nos contar um pouco sobre o que você está preparando sobre ele?

Travis: Nós temos várias coisas diferentes que estamos desenvolvendo. Piranesi é uma delas, que é um livro extraordinário escrito por Susanna Clarke, uma autora incrível. Algumas pessoas descreveram o livro como inadaptável para o cinema e nosso objetivo é provar que eles estão errados.

Isabel: Muito obrigada!

Travis: Obrigado!

Projeto para discutir, criticar e divulgar os trabalhos de mulheres no cinema.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *