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Filmes para ver na internet no Dia da Consciência Negra

A data de 20 de novembro de 1695 é a data da morte de Zumbi, um dos líderes do Quilombo dos Palmares e um dos maiores símbolos brasileiros da resistência do povo negro. Sua luta e a de tantos homens e mulheres escravizados foram essenciais para que a abolição oficial da escravatura viesse a acontecer muitos anos depois, em 13 de maio de 1888. Mas todo esse passado tão violento ainda ecoa fortemente nos dias atuais, de diversas formas.  

Reivindicada desde os anos 1970 por movimentos negros, no ano de 2011, a data da morte de Zumbi foi instituída oficialmente, mediante lei nº 12.519, como Dia Nacional da Consciência Negra. Passou a marcar, portanto, o incentivo à consciência histórica da escravidão e as consequências deste sistema para a sociedade como um todo. A ideia é que as pessoas se voltem mais enfaticamente à necessidade de reflexão e discussão sobre racismo estrutural e institucional, identidade negra, desigualdade social, a importância da cultura e do povo africano na cultura brasileira e a memória e celebração de figuras negras importantes.

Quando conectamos a data ao cinema, nos deparamos com um abismo de espaço. De acordo com o site Women and Hollywood, entre os 100 filmes com maior bilheteria nos Estados Unidos em 2017, apenas 34% dos personagens com fala eram mulheres. Dessas, somente 16% eram mulheres negras. Essa sub-representação piora quando tomamos como foco o trabalho de direção. Não obtivemos dados estadunidenses, mas no Brasil Adélia Sampaio foi a primeira cineasta negra a ter um longa-metragem comercialmente nos cinemas, seu filme Amor Maldito, apenas em 1984. Depois disso passaram-se 34 anos para que o feito se repetisse, somente em 2018, com O Caso do Homem Errado, de Camila Moraes e Café com Canela, de Glenda Nicácio e Ary Rosa. 

O cinema, apesar de historicamente falhar em termos de representatividade, é também um meio poderoso para ampliar os debates. Pensando nesses dados e no recorte de gênero de nosso projeto, para esse dia de reflexão e luta separamos sete filmes com protagonismo de mulheres negras em frente ou atrás das câmeras para assistir por meio da plataforma de streaming do Telecine e celebrar o talento dessas profissionais. Confira a lista:

Pantera Negra (Black Panther, 2018), dirigido por Ryan Coogler 

O diretor Ryan Coogler despontou com os filmes Fruitvale Station: A Última Parada e, principalmente, Creed: Nascido Para Lutar (sequência de Rocky também disponível no catálogo). Com o destaque que obteve nesses filmes, foi contratado para dirigir esse da Marvel, o primeiro a ter protagonismo negro e que, por isso, não poderia ficar de fora da lista. A história se passa no fictício país de Wakanda, mergulhado em afrofuturismo e com uma direção de arte impecável. Foi a partir dele que muitas pessoas foram apresentadas às ideias do afrofuturismo e pensaram sobre ancestralidade, diáspora africana,  imaginário e tecnologia afro, entre outras coisas. Pantera Negra (2018) venceu, inclusive, o Oscar nas categorias de Figurino, que foi para Ruth E. Carte, primeira mulher negra a vencer nessa categoria; Direção de Arte para Hannah Beachler, outra pioneira na cerimônia, além de Trilha Sonora Original).  Embora parte da narrativa seja centrada entre o próprio Pantera Negra, T’Challa (Chadwick Boseman) e o anti-herói Erik Killmonger (Michael B. Jordan), o papel das mulheres é essencial para o filme, desde a cientista Shuri (Letitia Wright), passando pela rainha Ramonda (Angela Basset), pela espiã Nakia (Lupita Nyong’o) até chegar à guerreira Dora Milaje, encabeçada por Okoye (Danai Gurira). Para quem gosta de fantasia com um visual deslumbrante, é a pedida certa. Assista aqui.

Selma – Uma Luta Pela Igualdade (Selma, 2014), dirigido por Ava DuVernay

Esse foi o filme que tornou a diretora Ava DuVernay conhecida mundialmente (temos um programa sobre a cineasta, ouça aqui), além de se tornar a primeira mulher negra indicada a um Globo de Ouro de direção e primeira mulher negra a ter um longa-metragem indicado a Oscar de Melhor Filme. Injustamente, não foi indicado a Melhor Direção, mas venceu na categoria Melhor Canção Original com “Glory”, também vencedora do Globo de Ouro, em que o longa concorreu a outras quatro estatuetas. A ficção dramática biográfica e histórica acompanha as marchas de Selma, no interior do Alabama, até a capital do estado, Montgomery, nos Estados Unidos, ocorridas na década de 60 e lideradas por Martin Luther King Jr. (David Oyelowo), James Bevel (o rapper Common), entre outros representantes da luta pelos direitos civis para a população afro-americana. O movimento sofreu com monitoração por parte do governo e repressão policial violenta. O filme humaniza a figura de King, trazendo sua vida pessoal, especialmente a relação com sua esposa, Coretta King (Carmen Ejogo), para primeiro plano. Ainda conta com a participação da sempre maravilhosa Oprah Winfrey. Assista aqui.

Rainha de Katwe (Queen of Katwe, 2016), dirigido por Mira Nair

Dirigido pela premiada cineasta indiana Mira Nair (ouça aqui nosso podcast sobre a diretora), Rainha de Katwe (2016) traz a jornada real da jovem ugandense Phiona Mutesi (interpretada por Madina Nalwanga), que vive com sua mãe, Nakku Harriet (Lupita Nyong’o) e, por causa das dificuldades financeiras, teve que abandonar os estudos. Um dia ela vê o professor Robert Katende (David Oyelowo) ensinando xadrez e se interessa pelo jogo. Inspiracional sem ser piegas, o filme tem atuações sólidas e nos coloca em torcida pelas superações que a protagonista promove. Assista aqui

Uma Dobra no Tempo (A Wrinkle in Time, 2018) 

Também dirigido por Ava Duvernay, o filme Uma Dobra no Tempo (2018) mostra como a diretora é versátil. Trata-se de uma fantasia infanto-juvenil que adapta o clássico homônimo estadunidense publicado por Madeleine L’Engle. Na história, os irmãos Meg (Storm Reid) e Charles (Deric McCabe) decidem tentar reencontrar o pai desaparecido (Chris Pine), um cientista. Eles contam com a ajuda do colega Calvin (Levi Miller) e de três mulheres que são fadas intergaláticas (Oprah Winfrey, Reese Witherspoon e Mindy Kaling), em uma aventura por diferentes lugares e perigos do universo. Diversidade e questões raciais permeiam a jornada, sendo que, por meio da presença da protagonista negra, o filme aborda autoestima e empoderamento, incluindo a aceitação do cabelo crespo. Assista aqui.

O Ódio Que Você Semeia (The Hate U Give, 2018), dirigido por George Tilman Jr. 

Adaptado do livro juvenil bestseller de mesmo nome escrito por Angie Thomas e adaptado para o cinema pela roteirista Audrey Wells o filme tem como protagonista Starr (Amanda Stenberg), uma adolescente de 16 anos que mora em um bairro periférico. Certo dia ela vê seu amigo de infância Khalil (Algee Smith) ser baleado e morto por um policial branco. Sendo testemunha chave para o ocorrido, ela sofre pressão de diversos lados e, mesmo sofrendo chantagens e repressão, se dispõe a dizer a verdade em respeito em honra ao seu amigo. Tendo estudado em colégio particular, acabou se tornando introspectiva por não se sentir pertencente ao espaço e diferente em meio aos colegas brancos. Precisa descobrir como se posicionar e se expressar diante da violência racista sistêmica. O ódio que você semeia (2018) trata-se de um filme feito para adolescentes, mas que não deixa de colocar o peso necessário naquilo que registra. Assista aqui.

Rafiki  (2018), dirigido por Wanuhi Kahiu

Primeiro filme de uma diretora queniana a ser exibido na programação do Festival de Cannes, Rafiki, que retrata o romance de duas jovens negras, marcou história também por ter sido banido em seu país de origem, pois no Quênia ainda se criminaliza relações entre pessoas do mesmo gênero. Além de todo o contexto político extra-filme, a diretora Wanuri Kahiu constrói com sensibilidade e apuro estético um retrato vibrante da cultura queniana, ao mesmo tempo em que fala sobre esse amor revolucionário e sobre a violência da repressão. Assista aqui.

Nós (Us, 2019), dirigido por Jordan Peele

O até então ator Jordan Peele alcançou enorme sucesso já com seu primeiro longa como diretor, Corra (também disponível na plataforma), em que usa o horror para comentar sobre o racismo casual da classe média branca. Com Nós (2019), seu segundo filme, os elementos de suspense dessa vez são usados para criar uma intrincada metáfora sobre exclusão social. Lupita Nyong’o (reinando nessa lista) se destaca com o duplo protagonismo. Adelaide(Lupita Nyong’o) e Gabe (Winston Duke), um casal que decide passar um fim de semana na praia. Eles viajam com os filhos e começam a aproveitar o ensolarado local, mas a chegada de um grupo misterioso, encabeçado por Red (também Nyong’o) muda tudo e a família se torna refém desse grupo. Obviamente que esta sinopse é apenas uma pequena parte de tudo que o filme apresenta, pois Peele trabalha com alegorias, entregando muitas camadas interpretativas. Interessante é que a questão racial não é o cerne do filme, ainda que traga uma família negra protagonista. Isso é mportante para reforçar que pessoas negras podem e devem falar sobre narrativas e realidades diversas e não somente sobre aspectos do racismo. Prepare-se para passar por tensão e se surpreender. O filme estará acessível à partir do dia 21/11. Assista aqui.

Lembrando que esses e outros grandes sucessos da cinelist #ExcelênciaPreta estão disponíveis no Telecine direto pela internet.

Esse conteúdo foi produzido pelo Feito por Elas, de maneira patrocinada, em parceria com o Telecine.  
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