Fora de Quadro #0
Publicado originalmente em 17/04 na newsletter para assinantes do financiamento coletivo do Feito por Elas. Para contribuir com o projeto, assine aqui.
Neste ano, 2026, logo menos no mês de junho, completo uma década na crítica de cinema. Escolhi esse mês e ano por coincidir com meu aniversário e com a abertura de uma mostra de filmes de um cineasta que gosto bastante, Quentin Tarantino. Nesta época, eu andava muito xoxa, manca, anêmica e capenga. Transitando entre picos de euforia com a nova graduação – Letras – Tecnologias da Edição, no CEFET-MG – e os efeitos de um Burnout que tinha me atropelado cerca de um ano antes.

E essa data (16/06/2016) não é apenas pela mostra, mas mais ainda pelo fato de eu ter escrito um texto no catálogo, sobre um dos filmes que mais me diverte na vida que é À Prova de Morte (Death Proof, 2007). Há uns anos, até imortalizei essa conquista na minha pele, em uma tatuagem dos carros colidindo e da perninha voando (crash, boom, ploct, catapof).

Ah, e também foi a primeira vez que comentei uma sessão de filmes para pessoas que, como eu, eram frequentadoras assíduas do Cine Humberto Mauro.
A sessão foi sobre o filme Faster! Pussycat! Kill! Kill! (1965), de Russ Meyer. A produção Exploitation aborda as aventuras de três controversas mulheres, lideradas por Varla – a belíssima Tura Satana – em que violência, hipersexualização de mulheres, carros e o poder fálico está em jogo. Foi uma experiência fascinante conhecer finalmente esse filme que em alguns anos de videolocadora já havia sido indicado para mim, mas que eu ainda não tinha conseguido assistir.
Pois bem, acostumem-se com essas retrospectivas, afinal vocês perceberão que minha trocas com vocês aconteceram tal quais as viagens de Doctor Who, porém estas daqui serão pelo espaço e tempo das minhas vivências e, portanto, de algumas maluquices da minha cabeça que um dia se tornaram verdade.
Voltando ao pré pandemia (como é louco pensar que em meio a todo o que vivi e construí ainda existiu uma pandemia), logo após essa realização, uma falava brotou em mim, fui ficando cada vez mais desejosa de ter momentos de trocas com as pessoas sobre cinema. Sem dúvidas, um sintoma de saudades do balcão da vídeolocadora. E não é que logo ali, na esquina, um convite para substituir o colaborador do blog de uma amiga vinha despontando?
Eu adoro me lembrar disso porque minha primeira cabine de imprensa foi sobre Internet – O Filme. E gosto de lembrar a cada momento que alguém tenta glamourizar o trabalho do crítico de cinema, pois não é um trabalho pouco laboroso, não é algo que te enriqueça e o que mais acontece é ter que assistir filmes ruins ou desinteressantes. Para quem quiser ler, esse primeiro texto ainda está no ar no Blog Entrando Numa Fria, nesse link aqui. Há momentos em que é gostoso revisitar a própria produção escrita. Me faz ser mais gentil comigo e com meus processos pessoais.
E de lá pra cá foram muitas águas que se passaram debaixo das várias pontes que ligam todos os territórios que me compõem. E, dez anos depois, a pobre burnoutada se vê em lugares que ela sequer imaginava, pois ela sequer pensava que poderia seguir esse caminho novo que tinha surgido em sua vida. Mas seguiu, sem saber onde daria, com medo de falhar, entretanto disposta a se aventurar.
No decorrer desse ano voltarei para conversar com vocês sobre a rotina em um set de filmagens, sobre minha experiência roteirizando filmes, bastidores de cobertura de festival e seus perrengues, tentativas de conseguir incentivo fiscal para desenvolver projetos e produções, enfim, um pouco de tudo o que estiver me atravessando, nesse turbilhão de emoções que eu chamo de vida.
P. S.: Segue pra vocês também a transcrição do texto que saiu no catálogo da Mostra Quentin Tarantino – O Maestro do Caos, realizada pelo e no Cine Humberto Mauro entre os dias 16 e 30 de junho de 2016.
P. P. S.: O Cine Humberto Mauro foi tema de um artigo na revista francesa Cahiers du Cinéma, em março passado. Leia o artigo aqui.


