[Olhar do Norte] Xingu, Nosso Rio Sagrado, de Angela Gomes
Este texto faz parte da cobertura do 8º Festival de Cinema da Amazônia – Olhar do Norte, de 23 a 27 de setembro de 2026.
À primeira vista, Xingu, Nosso Rio Sagrado é um filme que celebra a relação que os ribeirinhos têm com aquelas águas. O documentário da diretora Angela Gomes, no entanto, mostra como esse laço está cada vez mais frágil, em uma terra cada vez mais arrasada pela Usina Hidrelétrica de Belo Monte.
É pelas vidas impactadas diretamente por aquela estrutura de barragens que Angela guia o público. Depoimentos sobretudo de mulheres que viram sua subsistência ser ameaçada e que precisaram recomeçar em territórios estranhos. Com uma câmera que acentua aquela imensidão de água e que mostra os impactos de Belo Monte no visual daquela região do Pará, o filme busca compreender a relação que os povos indígenas que ali resistem e que os ribeirinhos que ali viviam construíram com aquele território.
“O rio se torna um psicólogo das nossas vidas”, diz uma das entrevistadas, resumindo bem o que foi perdido nos últimos dez anos por aquelas pessoas. Aquela paz de olhar o horizonte entre o azul do rio, o verde da floresta e o laranja do céu já não existe.
Xingu até se torna um pouco repetitivo ao longo de mais de uma hora de projeção. Por outro lado, essa redundância nos depoimentos reforça a ideia central, de que o rio é parte daquelas vidas e que, enquanto elas existirem, a resistência se fará ao que é chamado de “progresso”.

