• Cinema,  Críticas e indicações,  Filmes

    [Tribeca 2026] Funk, de Aly Muritiba

    Este texto faz parte da cobertura do Tribeca Film Festival 2026, que ocorre em ocorre em Nova York de 3 a 14 de junho. Funk, novo filme de Aly Muritiba, abre com a batida vibrante do ritmo vindo das favelas cariocas. Antes mesmo de conhecermos a protagonista, ouvimos a música e vemos o quanto ela envolve as pessoas. Assim que Sabrina (Duda Santos) desce do mototáxi que pediu, atrasada, para o baile, a acompanhamos em direção ao palco e ali entendemos que ela é MC Sabrina, uma cantora de funk proibidão que divide a vida entre os versos que compõe e canta e o sonho de ser uma artista famosa.…

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    Território (2026)

    Publicado originalmente em 21/05 na newsletter para assinantes do financiamento coletivo do Feito por Elas. Para contribuir com o projeto, assine aqui. Um dos filmes que vi esse mês foi Território, que teve uma pequena pré-estreia no Cine Bijou, aqui em São Paulo. Ele é o documentário de estreia de Telma Hoyler, que é doutora em Ciências Políticas pelas USP com um pós-doutorado em Arquitetura e Planejamento Urbano na Inglaterra. Uma colega cientista social envolvida com cidade fazendo cinema? Automaticamente captou minha atenção. Trata-se de um recorte bastante específico das eleições municipais de 2024 na cidade de São Paulo: a candidatura de Seu Geraldo, uma liderança popular, a vereador. Seu Geraldo é…

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    Entrevista | Maria Clara Escobar, co-diretora de Dolores: “A gente queria olhar com amor para essa personagem”

    É preciso ter respeito pelo jogo. Quando a dona de um cassino interpretada por Zezé Motta fala isso para a personagem-título de Dolores (2026), o significado da frase vai além daquelas paredes. O jogo é literal e figurativo ao mesmo tempo e pode ser uma representação da vida. O respeito pela vida do trio de protagonistas do filme, que chega aos cinemas nesta quinta-feira (4), é o que move a narrativa conduzida pela dupla Marcelo Gomes e Maria Clara Escobar.  O filme é um projeto do diretor Chico Teixeira, com roteiro escrito em parceria com Sabina Anzuategui. A ideia era que ele concluísse a sua Trilogia dos Afetos, junto com…

  • Doutor Monstro Taís Araújo cinepe2026
    Cinema,  Críticas e indicações,  Filmes

    [Cine PE 2026] Recife chama o monstro para abrir a sessão de sua primeira noite

    Filme de abertura da 30ª edição do CinePE aborda o crime de feminicídio cometido por cirurgião plástico Este texto faz parte da cobertura do Cine PE Festival do Audiovisual 2026, que ocorre entre 1 e 7 de junho. I. Em tempos de ‘epidemia de feminicídio’, ter filmes abordando o assunto tende a ser algo que nos conforta, afinal, esperamos que (mais uma vez) o cinema sirva de meio de meio para que discussões pertinentes e importantes alcancem cada vez mais pessoas. Entretanto, há de se entender que a escolha da forma influencia bastante a recepção do público. Não que as artes devam, sejam obrigadas a assumir o papel de mediador…

  • Entrevistas

    [79º Festival de Cannes] Entrevista com Manu Sobral, de “Ilhéus”

    Este texto faz parte da cobertura do 79ª Festival de Cinema de Cannes, que ocorre entre 12 e 23 de maio. Natália Bocanera: Ilhéus nasceu a partir de um curta-metragem homônimo, que já possui uma trajetória internacional. O que te levou a perceber que aquele universo ainda tinha desdobramentos possíveis? Manu Sobral: A produção de Ilhéus, o longa, só foi possível por causa do curta e da projeção que o curta teve nos prêmios, nas exibições e tal. Com esse curta que eu consegui apoios, que eu consegui uma equipe interessada, que eu consegui transmitir a ideia do universo, no sentido de conquistar pessoas e apoio, tanto técnicos, de equipamentos,…

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    Papagaios (2025)

    Em Papagaios, do diretor Douglas Soares, a fama é antídoto para a solidão e passaporte para a eternidade. Faça chuva ou faça sol, se houver uma câmera ligada em uma rua qualquer, lá estará Tonico (Gero Camilo), um homem que se autointitula “o melhor amigo dos repórteres”, com cartão de visita e tudo. De terno e cabelo (que depois descobrimos ser uma peruca) penteado para trás, ele busca a melhor posição para ser eternizado em uma reportagem sobre um acidente, um homicídio ou até temas mais prosaicos como o movimento do comércio.  Não importa o que o repórter está noticiando. O que importa, para Tonico, é ser visto, tanto que…

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    Apolo (2025)

    Logo nos primeiros minutos, Apolo já se mostra um filme bastante íntimo. Enquanto Lourenzo e Isis conversam sobre o significado de realizar uma obra audiovisual que retrate o período de gestação e nascimento do filho, ainda pequeno na barriga do pai, o casal reflete sobre como as histórias desses momentos, em geral, são apenas contadas, repassadas nas famílias. Como símbolo da ruptura com as formações familiares tidas como tradicionais na sociedade, a gravidez de Apolo não poderia ser apenas uma conversa para o futuro, urge a necessidade dos pais de construir algo maior, mais honesto e sensível. O documentário é uma carta de amor ao filho, que atravessa linearmente cada…

  • Entrevistas

    Entrevista com Wagner Moura sobre O Agente Secreto

    Estava na fila da Cinemateca para assistir a No Other Choice, do Park Chan-Wook, durante a Mostra de São Paulo, quando recebi uma mensagem de que entrevistaria o Wagner Moura no dia da coletiva de imprensa de O Agente Secreto. Já tinha assistido (e adorado) o filme no mês anterior, em uma sessão durante o Olhar do Norte – Festival de Cinema da Amazônia, mas revisitar a saga de Marcelo na Recife de 1977 estava nos meus planos durante a Mostra, porque sabia que teria uma coletiva de imprensa e queria refrescar a memória e, ao mesmo tempo, curtir como espectadora, sem a responsabilidade de escrever (meu texto sobre o…

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    [49ª Mostra de São Paulo] Aqui Não Entra Luz

    Este texto faz parte da cobertura da 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que ocorre entre 16 e 30 de outubro. Alguns muitos filmes brasileiros já foram feitos investigando as trabalhadoras domésticas, de ficção a documentários. Tanto com teor político, quanto por uma perspectiva mais distante, há muito o que se aprender sobre este país quando se olha para esse assunto tão brasileiro, a escravidão moderna. Karol Maia, no entanto, traz uma visão íntima, pois seu objetivo ao realizar Aqui Não Entra Luz é também conhecer e retratar a vida de sua mãe e, dessa forma, ela partilha seus pensamentos e sentimentos particulares por meio de uma narração…

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    [49ª Mostra de São Paulo] Nada a Fazer

    Este texto faz parte da cobertura da 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que ocorre entre 16 e 30 de outubro. “Um teatro a salvar. Só o teatro para nos salvar.” Legado talvez seja a palavra-chave para o novo documentário de Leandra Leal, Nada a Fazer (2025). Assim como em seu primeiro filme, Divinas Divas (2016), a diretora parte de algo profundamente pessoal. Se em Divinas… o Teatro Rival era o ponto de partida para que ela contasse as histórias de quem subiu naquele palco, agora o negócio de família aparece em risco durante a pandemia de Covid-19 e em meio à desvalorização da cultura no governo Bolsonaro.…