[Tribeca 2026] Matininó, de Gabriela Díaz Arp
Este texto faz parte da cobertura do Tribeca Film Festival 2026, que ocorre em ocorre em Nova York de 3 a 14 de junho.
Ter coragem de ser a primeira a falar é o caminho para lidar com traumas geracionais em Matininó, filme de Gabriela Díaz Arp que integrou a programação do Festival de Tribeca 2026. Misturando elementos do teatro, do cinema fantástico e do documentário, a produção reúne mulheres de diferentes gerações de uma mesma família, cada uma confrontando seus traumas na tentativa de romper ciclos de silêncio para que as próximas gerações possam existir sem medo.
No filme, essas mulheres caribenhas estão em meio à natureza, conversando entre si e com a câmera sobre experiências pessoais que, por muito tempo, não reconheceram como abuso. O individual se torna coletivo quando elas são convidadas a imaginar uma vida em Matininó, um lugar mitológico habitado apenas por mulheres. Segundo a lenda, a ilha surgiu depois que um homem as abandonou ali, acreditando que elas não seriam capazes de sobreviver.
Díaz Arp estimula a imaginação das mulheres em cena, colocando-as em contato com os fantasmas daquelas que vieram antes, em uma trama que celebra a ancestralidade ao mesmo tempo em que aponta para um futuro de cura.
Matininó surge como uma utopia, simbolizada na fotografia colorida do filme, que apresenta a floresta ora como um lugar carregado de mistérios, ora como um refúgio. Dividir histórias é uma forma de resistência, diz uma das personagens, sintetizando o que se vê na tela. O filme é um convite a reivindicar a própria história, apesar dos monstros que estão à espreita.



