• Críticas e indicações,  Livros

    Clara Averbuck Toureando o Diabo

    A escritora gaúcha Clara Averbuck dedica seu sétimo livro “pras minas”. Scanners de agendas conferem suspeita verossimilhança ao relato em algumas das páginas em preto e branco, nas quais ela escreve sobre relações quase sempre efêmeras em metalinguagem irônica: “Eu vivo de fazer versões da vida que não são verdade, mas todo mundo acha que é diário, que é confessional. Quero ver chamar literatura de homem de confessional. Jamais aconteceu, né? Só mulheres têm pecado pra confessar”. Parceria com a ilustradora Eva Uviedo, “Toureando o Diabo” foi lançado em 2015 por financiamento coletivo – mas ainda restam exemplares raros na Estante Virtual.

  • Críticas e indicações,  Filmes

    XXY, de Lucía Puenzo

    Já ouviu nosso podcast sobre a diretora argentina Lucía Puenzo? O longa dela XXY (2007) está disponível na Netflix! No drama, a atriz Inés Efron vive Alex, intersexual que aos 15 anos mora com os pais (um deles vivido pelo Ricardo Darín), que lidam com os desafios de sua condição médica e a hostilidade enfrentada durante suas descobertas. O filme é muito pesado e difícil de ser assistido – costumamos preferir películas que retratam a sexualidade e especialmente questões de gênero de forma mais leve.

  • Críticas e indicações,  Filmes

    Era uma vez em Hollywood

    Tarantino sempre passa do ponto em algum momento. Mas apesar de todas as questões, da falta de falas pra fascinante Sharon Tate, continua valendo a pena. Fui pro cinema apenas com uma sinopse (muito mal escrita) e os teasers engraçadinhos que não pude evitar no insta. Margot estava felizinha demais, todo mundo numa vibe muito […] https://stephaniaamaral.wordpress.com/2019/08/15/era-uma-vez-em-hollywood/...

  • Críticas e indicações,  Discos

    Zimbru – “Divination”

    Minha recomendação da vez é uma “descoberta da semana” no Spotify, cujo algorítimo tantas vezes lê minha alma (e recorda da minha obsessão por cantoras). Senti uma conexão imediata pela música “Divination”, da banda romena Zimbru (custei a achar as letras!) Logo descobri o clipe surreal, dirigido pela Irina Alexiu: a protagonista tem um corpo bem realista, digamos, e usa camiseta do Hole! Eu já estava apegada aos “atores”, sentimento tão familiar de amigos imaginários ou guias espirituais que ajudam a atravessar a solitude do dia… quando assisto a “Dog Heaven” (ao vivo) e descubro que os quatro são ninguém menos do que os integrantes do grupo! (Teodora Retegan, Oana Pop, Andrei…

  • Críticas e indicações,  Discos

    Ressignificar o climão na pista

    Letícia Novaes lançou uma versão remix do primeiro e icônico álbum de sua alter ego atual. Se Letrux em noite de climão me tirou de uma bad, as faixas revisitadas de Letrux em noite de pistinha consolidam pra mim novas perspectivas. Dado o impacto inicial de “Vai render” versão funk (!), uma narração bônus abre “Ninguém perguntou por você”, letra agora fora de ordem, carnavalizada. “Coisa banho de mar” e “Que estrago” poderiam ter os jogos de palavras e a melodia um pouco subvertidos, ainda assim é impossível estragar as faixas. “Puro disfarce” tem agora contornos mais profundos, lugar onde “a fossa dança e o gozo dói”. “Amoruim”, aquela que me fazia…

  • Críticas e indicações,  Livros

    Magra de Ruim, Sirlanney

    Pausa em minhas costumeiras indicações musicais pois preciso falar sobre a Sirlanney (aliás já falei no podcast, mas reforço aqui). O trabalho da ilustradora cearense me impactou muito neste tardio contato com o livro “Magra de Ruim”. Passando por temáticas da solidão ao empoderamento, as aquarelas metalinguísticas e muito livres me deixaram morta de vontade de voltar a desenhar, o que tenho feito. Com um erotismo pungente, Sy não tem vergonha de expor seus dramas e sua força.

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    Tuca & Bertie

    “Esse é o alarme que soa quando nenhuma mulher fala em voz alta por três minutos” – essa é uma das icônicas falas de uma das protagonistas, ao defender sua melhor amiga silenciada por um colega de trabalho. Dubladas pelas humoristas Tiffany Haddish e Ali Wong, Tuca & Bertie são duas garotas-pássaras de 30 anos vizinhas num apartamento na “Cidave”. O desenho criado por Lisa Hanawalt, também produtora de BoJack Horseman, me ganhou pela leveza na abordagem de temas triviais e algumas vezes pesados, como abuso velado, doenças e problemas em família. A série se tornou minha preferida entre as animações adultas recentes, por ter muita personalidade no traço, extrema criatividade, humor na…

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    Tem Conserto, de Clarice Falcão

    Clarice Falcão voltou. A menina que começou cantando paixões um tanto quanto submissas e tragicômicas em Monomania (2013) e amadureceu na forma empoderada de lidar com dramas românticos em Problema Meu (2016), sem jamais perder a ironia. Tem Conserto (2019) inicia com uma aura bad, a julgar por “Minha Cabeça”, “Morrer Tanto”* e “Esvaziou”, cujo clipe meditativo (genérico) esvazia um pouco a tristeza do luto. Porém em meio ao choro, Clarice faz rir na sequência com as dançantes “Horizontalmente” (na real um depressivo caso de amor com a cama) e “Dia D” (ousado refrão de funk), lembrando “Hey DJ” da Xuxa nos tempos áureos em “CDJ”, link pra terminar de…

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    Electra, de Alice Caymmi

    Depois de me arrebatar pela primeira vez com o hit “Sozinha” (que chegou na minha história na hora exata), Alice Caymmi retorna com o álbum “ELECTRA” (disponível no Spotify, etc..). A vibe é tensa, dramática (ADORO), oposta aos beats eletrônicos e empoderados do batidão neon – também interessante – do trabalho anterior, Alice pega no samba denso e pianos introspectivos (animando um pouco mais só ao final) em regravações como “De qualquer maneira” na bela e melancólica introdução, passando de Maysa (Diplomacia, 1958) a Letuce (Areia Fina, 2012 – lembrando que “tudo que é perfeito dá defeito cedo ou tarde”) (@discosdaste) Videoclipe (vertical) de “Diplomacia”, de Alice Caymmi.

  • Críticas e indicações,  Filmes

    O Outro Pai

    O Outro Pai (2019), de Gabriela Tagliavini, é daqueles filmes que apesar de todas as evidentes falhas – como clichés de final feliz e romances forçadíssimos – acaba sendo uma ótima surpresa. Na trama, quatro irmãs que se reencontram no funeral da mãe descobrem que não são filhas biológicas do pai com que conviveram, e devem descobrir suas origens como condição para recebimento da herança. Me diverti e me emocionei com a comédia espanhola (a quanto tempo não tinha um guilt pleasure tipo novela mexicana!), especialmente pela união fraternal, real desejo da mãe realizado. Fiquei satisfeita pelas representatividades importantes (ainda que colocadas de forma um pouco desengonçada), não só da diretora…