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    O Melhor Amigo (2024)

    Não vou mentir que um dos pensamentos que ficaram comigo depois de assistir a O Melhor Amigo, novo trabalho do diretor Allan Deberton, foi que precisamos de um musical jukebox com o repertório da dupla Michael Sullivan e Paulo Massadas. O momento do filme que foi responsável por isso é rápido, mas resume bem o quanto o longa é feliz ao celebrar o melhor do nosso cancioneiro popular em um musical vibrante, mesmo quando se fecha no escuro de uma boate. Na cena em questão, a música Retratos e Canções (sucesso de Sandra Sá nos anos 1980) é cantada em um karaokê e, como as grandes músicas compostas por Sullivan e Massadas, parece…

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    O Macaco (2025)

    Em letras chamativas, o cartaz nacional de O Macaco (The Monkey) destaca os nomes de Osgood Perkins (diretor e roteirista), Stephen King (autor original) e James Wan (produtor), um trio que costuma remeter ao gênero do horror. A publicidade brasileira do filme faz coro, indica que é um “terror repleto de humor macabro e mortes surreais”, frase que, embora acertada em algumas partes, também foi o fermento para a decepção de muitas pessoas. Se a onda de terror elevado, horror psicológico, entre outros termos utilizados, quase colocou o gênero como algo menos digno, dando a algumas obras o rótulo de suspense, drama ou qualquer outro, como se o terror não…

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    Mickey 17 (2025)

    “Dizem que dão emprego para aquele rio de pessoas que segue para o norte. O presidente Donner é a favor deles. Os trabalhadores são mais descartáveis do que escravos. Eles inspiram fumaça tóxica, bebem água contaminada ou são feridos em máquinas sem proteção… Não importa. São fáceis de substituir: milhares de desempregados para cada vaga”. (A Parábola do Semeador, de Octavia E. Butler, p. 402) Assistir Mickey 17, novo filme do cineasta coreano Bong Joon-ho, na mesma semana em que li A Parábola do Semeador, livro de Octavia Butler, foi uma confluência (e coincidência) bastante apropriada. O livro foi publicado em 1993 e reflete muitas das angústias da época, e…

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    Nazismo e perseguição a identidades LGBTQIA+ no cinema

    Publicado originalmente na newsletter para assinantes do financiamento coletivo do Feito por Elas. Para contribuir, assine aqui. Tenho assistido com estupefação, como quase todo mundo, as tomadas de decisão de Donald Trump, novamente ocupando a cadeira da Casa Branca. Nem vou falar do horror que são os descalabros do Elon Musk. Mas uma das coisas que mais têm me afetado é ver as notícias sobre a perseguição de identidades transgênero pelo governo. Primeiro o secretário de Estado Marco Rubio proibiu a emissão de passaportes com identidade retificada para pessoas transgênero. Eu vi muita gente apavorada no bluesky, constatando que ou utiliza o nome morto e o gênero designado no nascimento, ou está virtualmente presa…

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    Bridget Jones: Louca pelo Garoto (2025)

    Antes de tudo devo dizer que não tenho isenção alguma para escrever sobre esse filme. A primeira vez que eu li o primeiro livro, O Diário de Bridget Jones, de Helen Fielding, foi em 2001, quando tinha 16 anos. Eu e mais sete amigos nos juntamos para dar de presente de aniversário para outra amiga. Livro novo, preço de capa, a gente com essa idade, essa era a forma que sempre fazíamos em todos os aniversários: juntar para comprar de galera. Pois bem, depois de devidamente presenteado, o livro rodou pelas mãos de quem presenteou também e assim foi minha primeira leitura. A segunda deve ter sido da biblioteca. E…

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    Homens de Barro (2024)

    Com nomes incomuns e uma narração em off descrevendo suas histórias, dois meninos, Pássaro e Marciano, vivem vidas normais, até certo ponto, de crianças em uma cidade muito pequena, com mais natureza do que perspectivas. No entanto, a história de Homens de Barro não pretende de forma alguma se distanciar ou esconder sua referência shakesperiana, sublinhando uma proximidade com a literatura e com a tragédia. Assim, a voz que descobre-se mais tarde ser de Ângelo (João Pedro Prates), o irmão que era pouco relevante na introdução do longa, narra como sua família, os Miranda, travam uma rivalidade de anos com os Tamai, poeticamente situados lado a lado, vizinhos de casa…

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    Entrevista com Kate Winslet sobre o filme Lee, de Ellen Kuras

    Kate Winslet já viveu muitas vidas em mais de 30 anos de carreira. Desde a estreia no cinema, em 1994, ela foi uma jovem de cabelos coloridos em busca de paz de espírito, a escritora Iris Murdoch, uma das mentes pensantes por trás do Macintosh, uma dona de casa infeliz nos anos 1950 (e outra nos anos 2000), sobrevivente do naufrágio do Titanic e até uma Na’avi. Não muito diferente de Lee Miller, que também viveu muitas vidas: de modelo, ela foi para trás das câmeras e fotografou a Segunda Guerra Mundial no front de batalha. As muitas vidas de Winslet e Lee se cruzaram no novo projeto da atriz…

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    Entrevista com Roberta Ribas e Gustavo Machado, de A Voz que Resta

    Em A Voz Que Resta, a dupla de diretores Roberta Ribas e Gustavo Machado coloca na tela um ambiente de pura claustrofobia. O cenário é um apartamento e o texto é um monólogo carregado de ânsia, desespero e, por vezes, até torpor. Os diretores também são os únicos atores em cena: Gustavo é Paulo, que conduz a história praticamente sozinho, com visões da mulher por quem está obcecado, a vizinha, Marina, interpretada por Roberta. O drama carregado nas tintas azuis e vermelhas é uma adaptação da peça do autor e tradutor Vadim Nikitin. Na obra original, a mulher existe, mas não aparece. Essa foi uma das diferenças que o filme…

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    Os Sapos (2024)

    Lentamente uma mulher caminha sozinha por uma estrada rural, carregando sua mala, até chegar em uma simpática casa de pau a pique rodeada por vegetação. No interior, Luciana (Karina Ramil) fez pão e toma um café da manhã caprichado e cheio de chamego com Marcelo (Pierre Santos). A chegada da estranha interrompe o que seria um descanso a dois. Paula (Thalita Carauta), a visitante, diz que veio para o encontro marcado por Marcelo. Ele havia chamado um grupo de amigos da juventude, que não via há 20 anos, para um fim de semana bucólico. Segundo ele, era um engano, pois desmarcou com todos para ficar apenas com sua companheira. Paula…

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    Parque de Diversões (2024)

    É noite na cidade, pessoas caminham de diversas direções até um mesmo ponto central. A escuridão urbana contorna os rostos, ninguém diz nada, ninguém tem nome, nem história, mas seus rostos são bem retratados, em foco. Quando a primeira personagem chega aos portões e os rompe, abre-se um novo mundo, resgatando um lado mais animalesco do instinto sexual, até por isso a primeira pessoa a desbravar o parque o faz justamente subindo em uma árvore. Parque de Diversões inicia então sua observação voyeur, convidando a pessoa espectadora a participar de um jogo entre diferentes experiências, mas com seu ritmo bem estabelecido entre as preliminares e o ápice. Os personagens praticamente…