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Para Todos os Garotos que Já Amei

Agosto de 1999: férias escolares. Com catorze anos, eu e mais duas amigas não pensamos duas vezes e escolhemos 10 Coisas Que Odeio em Você como o filme da nossa sessão de cinema da vez. É uma pena que eu tenha jogado fora os diários daquela época, porque eu sempre anotava o que tinha achado do filme e adoraria reler hoje em dia. Na época Heath Ledger e Julia Stiles (os protagonistas) tinham 20  e 18 anos, respectivamente, ainda que seus personagens fossem adolescentes do ensino médio. Resquícios dos anos 90 que findava. O que importa é que, independente disso, aquele filme era mágico! Achei ele divertido, romântico, com uma trilha sonora ótima (Letters to Cleo! <3) e, claro, uma protagonista com a qual eu me identificava, com roupas parecidas com as minhas e, acima de tudo, proto-feminista. Se tem seus problemas? Claro, mas isso não importa: o que importa é que era o filme certo, para o público certo na idade certa. E cada geração precisa ter seu 10 Coisas que Odeio em Você. Pulamos para 2018, quase vinte anos depois e que sorte os jovens de hoje têm: primeiro Com Amor, Simono filme gracinha que tira as comédias românticas de colegial da heteronormatividade e agora Para Todos os Garotos que Já Amei. Sim, gente adulta não é o público alvo desse filme: adolescentes como eu era em 99 provavelmente são o foco específico. Mas nada impede um adulto de aproveitar o que o filme tem de bom, o que é bastante coisa. Trata-se da história de Lara Jean, uma menina que escreve cartas para os meninos por quem se apaixona, coloca-as em um envelope, endereça-as e guarda para nunca enviá-las. Até que um dia descobre que todos eles receberam as cartas e ela não sabe como isso aconteceu. Desesperada, ela tem que conversar com cada um para esclarecer a situação. A personagem principal é interpretada com grande carisma por Lana Condor, a Jubileu que foi praticamente cortada de X-Men: Apocalipse e aqui prova que tem talento suficiente pra ser protagonista. A história vem de várias mãos femininas: Jenny Han escreveu o livro, que foi adaptado no roteiro de Sofia Alvarez e dirigido por Susan Johnson. Han chegou a mencionar que o filme foi realizado na única produtora (Overbrook Entertainment, fundada por Will Smith) que aceitou em escalar uma atriz de origem asiática, assim como a personagem no livro, uma vez que todas as demais queriam colocar uma atriz branca no papel. Uma loucura pensar que protagonistas que não sejam brancos ainda sejam um “problema” na indústria. Além disso, o filme se permite desconstruir vários estereótipos do gênero e assim o atleta tem suas fragilidades e a menina popular pode não necessariamente ser autoconfiante, por exemplo. Por isso talvez ele tenha menos conflitos que filmes que se passam em universos similares, mas isso o torna agradável e dá espaço para todos os personagens serem humanos e terem seu valor. Em resumo, é um filme fofinho, divertido e merece, sim ser visto. 

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