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As Horas (The Hours, 2003)
[AVISO DE GATILHO: CONTEÚDO SENSÍVEL]Essa não é uma crítica. Transcrição da minha fala do Feito por Elas #114 As Horas publicada originalmente no Letterboxd. Eu localizei no meu diário quando vi As Horas no cinema, em 6 de março de 2003. O ingresso de estudante custava R$ 2,50 e eu anotei: “Muito poético. Demais o jeito que as 3 histórias paralelas se interligam subjetivamente. Meu candidato para melhor filme no Oscar”. Eu lembro de ter chorado desesperadamente. Eu não tinha lido nada da Virginia Woolf na época, mas a identificação foi enorme. Eu fui atrás de ler o livro As Horas e de ler Mrs. Dalloway. Eu já não morava…
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Orgulho LGBTI+ no Feito por Elas
O dia 28 de junho é o Dia Internacional do Orgulho LGBTI+ e aproveitando a data, vamos fazer uma postagem para enaltecer cineastas LBTI ou que trabalhem com a temática LGBTI+ e/ou queer sobre as quais já temos programas. Resistir e celebrar sempre! Segue abaixo: Feito por Elas #15 Lana e Lilly Wachowski As irmãs Lana e Lilly Wachowski são as primeiras cineastas transgênero que se tenha notícia trabalhando em Hollywood. Falamos sobre seu filme Ligadas Pelo Desejo (1996), protagonizado por duas mulheres em relacionamento, e Sense8 (2015-2018), seriado com boa representatividade LGBTI. Feito por Elas #16 Chantal Akerman Chantal Akerman recusava rótulo como “mulher”, “judia” ou “lésbica”, mas mesmo…
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Diário de uma filmografia: Julia Roberts
Dia dos Namorados chegando e com ele uma jovem tradição do Feito por Elas: um episódio sobre comédias românticas. Majoritariamente brancas e heteronormativas, o gênero tem uma infinidade de filmes repetitivos e pouco inspirados. Ainda assim tem exemplares deliciosos, que vão das comédias malucas da Hollywood clássica ao texto afiado de Nora Ephron. Em 2017 começamos com a própria Nora Ephron e a ela se seguiu a Nancy Meyers no ano seguinte, ambas roteiristas e diretoras estabelecidas no gênero. Em 2019 resolvemos falar sobre uma atriz: Sandra Bullock, uma das queridinhas dos romances da década de 1990. E veio a promessa: em 2020 seria a vez de Julia Roberts, que…
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Filmes dirigidos por mulheres para ver no Prime Video
Preparamos mais uma lista de filmes para você aproveitar, dessa vez no Prime Video da Amazon. Como na lista da Netflix, são filmes muito variados e destacamos aqueles dirigidos por cineastas a quem já dedicamos programas. Segue a lista, todos com link direto para o filme: Psicopata Americano (American Psycho, 2000), de Mary Harron É Proibido Fumar (2009), de Anna Muylaert Sabor da Vida (An, 2016), de Naomi Kawase O Segredo das Águas (Futatsume no mado, 2015), de Naomi Kawase Brilho de uma Paixão (Bright Star, 2010), de Jane Campion Bling Ring: A Gangue de Hollywood (Bling Ring, 2013), de Sofia Coppola Jogo Perverso (Blue Steel, 1989), de Kathryn Bigelow…
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Filmes dirigidos por mulheres para ver na Netflix
Em meio a quarentena muitas pessoas pediram dicas de filmes que possam ver em plataformas de streaming. Como as opções são muitas, separamos para vocês filmes dirigidos por diretoras que já abordamos em nossos programas. Hoje listamos aqueles disponíveis na Netflix. Tem filme para todos os gostos! Segue a lista, todos com link direto para o filme: Mãe Só Há Uma (2016), de Anna Muylaert Feira das Vaidades (Vanity Fair, 2004), de Mira Nair Em Carne Viva (In the Cut, 2003), de Jane Campion O Destino de Júpiter (Jupiter Ascending, 2015), de Lana e Lilly Wachowski As Vozes (The Voices, 2014), de Marjane Satrapi Califórnia (2015), de Marina Person O…
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Sense8
Esse texto foi originalmente escrito para a revista LumeScope em 04/06/2018 No dia 24 de junho último, foi ao ar na plataforma de streaming Netflix o episódio final do seriado Sense8, criado por Lana e Lilly Wachowski. Dirigido por Lana Wachowski, ele tratou de arrematar algumas pontas que haviam ficado soltas com o cancelamento do programa ao fim da segunda temporada. A maior parte das soluções encontradas para produzir um desfecho diziam mais sobre os personagens e sua relação com as pessoas que assistem a eles do que sobre a trama proposta inicialmente. A série aborda a história de oito desconhecidos distribuídos ao redor do globo, que subitamente se descobrem…
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Hollywood: quando a história não é o suficiente
Que Ryan Murphy é um showrunner divisivo todos que acompanham televisão sabem. Emplacando sucesso atrás de sucesso, muitas vezes se aponta a falta de sutileza de seus roteiros. Para mim, geralmente ele acerta, com as devidas ressalvas, se tomarmos como referência justamente seus aspectos novelescos e pendor para o kitsch. Gosto do começo de Glee, da primeira temporada de American Crime Story (a única que vi) e de Pose (levando em conta o excesso de glamourização). Por fim, apesar de algumas ficcionalizações problemáticas, realmente acho Feud: Bette & Joan uma série ótima, que me entrega algo que eu (e provavelmente muitas pessoas cinéfilas) sou carente: dramas sobre a história de…
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Gigolô Americano e Teresa de Lauretis
Esse texto foi originalmente escrito em meu perfil no Letterboxd, mas resolvi trazê-lo para o blog. Em seu livro Alice Doesn’t: Feminism, Semiotics, Cinema, Teresa de Lauretis, em certo momento, discute a relação entre imagem e prazer (tomando emprestado de Laura Mulvey), mediada ou mediando a sexualidade, nos termos de Foucault. Afirma: Como resultado direto da formação histórica da sexualidade, a representação imagética do corpo, presente do prazer visual do cinema, é um ponto focal de qualquer processo de identificação, exercendo uma influência sobre o espectador comparável apenas à tensão da narratividade (p.82, tradução minha) Coloca, portanto, a presença do corpo em cena como fundamental na forma como nós projetamos…
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Meio Irmão: o cinema, a política e a poética
Essa crítica foi publicada originalmente no dia 11 de novembro de 2018 no Dossiê do Juri Abraccine da 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, do qual fiz parte. Entre cada sessão, os encontros fugazes acompanhados de breves palavras pesarosas que escapam pelos lábios. Na convergência de pessoas, olhares se cruzam e comentários misturam as obras vistas com os acontecimentos concomitantes. Entre o dia 18 e 31 de outubro ocorreu a 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. O senso de normalidade da cinefilia é quebrado pelo mundo que chama do lado de fora do cinema. O processo eleitoral acirrado, marcado pela inverdade compartilhada em massa e por discursos…
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Entrevista com Sara Silveira, produtora de Todos os Mortos
Sara Silveira é hoje inegavelmente um dos maiores nomes na produção de cinema no Brasil. Com mais de cinquenta filmes no currículo, é uma das criadoras, junto com Carlos Reichenbach, da Dezenove Som e Imagens. A produtora tem como parceria Maria Ionesco, executiva que produziu, também todos os filmes que por lá passaram nesses quase trinta anos de estrada. Hoje Sara é a responsável por Todos os Mortos, dirigido por Marco Dutra e Caetano Gotardo, que foi selecionado para o competição oficial do Festival de Berlim, que começa no dia 20 de fevereiro e vai até 1º de março. O filme acompanha duas famílias brasileiras 11 anos após o fim…